No Balcão do Quiosque

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Eu comigo mesma




"As pessoas que se comprazem no sofrimento, que gostam de sentir-se infelizes e fazer aos outros infelizes, jamais poderão orgulhar-se de sua beleza. O mau humor, o sentimento de frustração, a amargura marcam a fisionomia, apagam o brilho dos olhos, cavam sulcos na face mais jovem, enfeiam qualquer rosto. Essa é a razão porque a mulher, que cultiva a beleza, deve esforçar-se para ser feliz. Felicidade é estado de alma, é atmosfera, não depende de fatos ou circunstâncias externas.” ( Clarice Lispector)



Eu comigo mesma

( por Rosemari)

Sou fã de Clarice Lispector. Lógico, há uma identificação muito grande, não somente com o conteúdo de seus textos, mas também com a forma com que ela desvela aquilo que vai às profundezas de sua alma.

Um amigo comentou que costumo negacear em meus poemas. Devo dizer que não é proposital. Naturalmente digo e não digo. Revelo e oculto. Deixo com que o texto penetre na alma do leitor.

Além disso, como Clarice , sou ainda um mistério para mim mesma.

Divago entre auto -reflexões, vivências e buscas constantes de uma resposta que possa me reconciliar com a vida. Aquelas velhas pendências em que a gente insiste em prorrogar, dando a elas prazos que já estão atrasados.

Sinto em mim ainda aquela menina rosácea de cabelos encaracolados, surpresa com as descobertas do amor, puro, ingênuo, uma flor em botão.

Descobri conversando com outro amigo que não sou totalmente impulsiva. Aprendi nesse quase meio século de vida, a ter controle sob minhas emoções. Já era tempo. Porém, isso se dá somente quando o assunto é afetivo, pois minhas emoções ainda prevalecem sob a razão, quando trato de assuntos políticos e sociais.

Tenho a impressão de que isso deveria ser o contrário. Bom, o que importa é que ainda aprendo. Afinal, pretendo viver mais meio século.

Prossigo meu caminho, errando e acertando,sabendo que nunca serei uma mulher completamente madura, como Clarice nunca foi, mas sei que pretendo viver plenamente meus sentimentos que são sempre intensos e verdadeiros.

Preciso pensar mais em mim. Como disse outro amigo, você vive para os outros, sobrecarrega-se com o peso do sofrimento alheio. Mas essa é a minha lucidez. Ser guerreira, lutadora, salvadora.

Sei que tento colocar em meus poemas esse mundo inalcançável. Persisto na idéia de que as palavras são ferramentas de vida. São elas que me salvam, dia a dia.

Assim, busco a felicidade na beleza da alma , no ar que respiro e que me incita a viver!!

7 comentários:

Chica disse...

E assim, segues levando a vida...Entre letras, respirando o ar e tentando viver o dia a dia da melhor maneira. Linda descrição de ti,Rosemeire!beijos,chica

neo-orkuteiro disse...

Rose, este post é seu retrato, com inset da Clarice. Há menos de mil palavras, e vale por mais de uma imagem.
beijos

Lu Cavichioli disse...

Quando o blog abriu e vi a imagem eu já sabia que era você! rsrs

Que texto bonito Rose. Íntegro e puro na Clarice que vive em ti.

ROSEMARI POR ROSEMARI!

ultrabeijos

Beijos

Ramosforest.Environment disse...

Rose,
"As palavras são ferrametna de vida..."
Em geral, somos como a maçâ no escuro.
Luiz Ramos

tita coelho disse...

Um desvendar - se sem ser... O auto retrato e conhecimento pelas letras é imperativo para o escritor. Achei lindíssimo teu texto, como de costume... Muito bonito!
Abraços

Tere Tavares disse...

Rose,
mais um belo momento seu; da sua escrita.
beijos

Leandro soriano disse...

Magno mistério é a existência. Mais ainda é a persistência em alcançar viver a vida que não morre. Belo momento.

Abraços