No Balcão do Quiosque

sexta-feira, 11 de maio de 2012

PROCURA-SE UM ANO LETIVO



Já passava do meio dia quando o repórter surgiu à porta da secretaria-almoxarifado-copa-diretoria... Como dizem os cariocas: “tudo junto e misturado” desde que se deu início à bendita reforma.

Reformas são bem-vindas. Mas seriam mais significativas se mexessem de fato com as estruturas decadentes de um prédio construído há milênios (exagero à parte) sem nenhum planejamento.

Voltando ao repórter surgido do nada.
- Nós somos da TV, gostaríamos de saber como está a reforma.
- Oi? Não está.

Rindo após ouvir obviedades, ele pergunta:
- Mas já era pra ter sido concluída, né? Quando começou?

A funcionária metida a contestadora, responde:
- Começou em fim de janeiro, como diz a placa lá na frente, a construtora tinha noventa dias pra entregar a escola e assim o ano letivo não ser tão prejudicado... Como vê, esses noventa dias deram cria.
- E agora? E os alunos?
- E agora, José? José para onde? Quem conseguiu vaga em outras escolas, #partiu! (uau, estou interneticamente antenada, usei o negocinho do meu sonho), quem confiou no processo, tem grande possibilidade de ficar a ver navios nesse ano, porque não se tem perspectiva de quando isso tudo se resolve. A construtora foi substituída, eles tem mais quinze dias pra fazer uma licitação seríssima a fim de contratarem outra, que dessa vez não usará material de quinta, ou telhas reaproveitadas de outras escolas, ou virarão a madeira de ponta-cabeça pra ocultar rachaduras... Por que agora tudo vai ser bem fiscalizado. Eles se distraíram um pouco, eu acho, não foi de propósito não. Só tem gente  séria e bem intencionada metida nisso.

O moço risonho foi embora, prometendo voltar no dia seguinte para filmar a bagaceira escolar, num período em que as aulas deveriam estar em plenos pulmões. Reformas são bacaninhas, ainda mais quando realizadas em ano político, onde as verbas dão em árvores e são repartidas a contento de todos. Mais ou menos como dizia São Luiz Gonzaga, o Rei do Baião: “um pra mim, um pra tu, um pra eu”...

E num futuro bem ali serão esses estudantes sem escola que disputarão vagas nas universidades com outros advindos das escolas particulares e bons cursinhos preparatórios. Você, caro leitor, arriscaria dizer quantos desses alunos desgarrados do ano letivo em curso (são mais de quinhentos), conseguirão alcançar uma faculdade?

E assim caminha a desigual brasilidade.

(A Milene Lima - O palíndromo)



7 comentários:

Leonel disse...

Coisas assim é que me deixam ainda mais revoltado com as "soluções" como as tais cotas raciais (ou racistas)!
O problema é sócio-educacional!
E a causa é exatamente a falta absoluta de vergonha na cara!
Os criminosos que deixam crianças sem aula, fazendo-os perder um tempo que jamais poderá ser recuperado deviam ser fuzilados!
Com a astronômica fortuna que pagamos de impostos neste país, se houvesse um pingo de seriedade e honestidade na administração pública, coisas assim nunca poderiam acontecer!
Muito menos as supostas "soluções" demagógicas! Arghhh!
O legislativo e o executivo federal são como Sodoma e Gomorra, dignos de virarem enxôfre e cinzas!
Se houvesse pelo menos três homens justos em Brasília, eu pouparia a esplanada da destruição!
Muito triste, Milene!
Mas verdadeiro!
Bjs!

Janice Adja disse...

A população de Alagoas está entregue as baratas. Além das escolas, a cidade da Paripueira a rodovia que corta a cidade, as calçadas estão obstruidas, placas demais que ofuscão as placas de sinalizações, as pessoas tem que ir para pista por não ter calçadas. E quando existe calçadas estão cheias de lixo, mato, metralha, placas de propaganda, . . .
é como se não tivesse governo.
Beijos!

Janice Adja disse...

Esta cidade da qual estou falando é localizada vizinho a sua capital Maceió no Estado de Alagoas.
Beijos!

Xipan Zéca disse...

Óie!! é pur essas e otras cousas quêu sô devoto do "acabocumisso"... Porrrrr*******xá... rss

Dorei ler ocê aqui...
Beijo
Tatto

João Esteves disse...

O pior, Milene, em sua denúncia é que você mostra um caso que sabemos verdadeiro, mas pontual que se multiplica pelo pais inteiro. Fosso só o caso dessa escola ou só o caso alagoano, o mal seria de proporções relativamente pequenas, mas infelizmente não é. A realidade geral tem o perfil que você descreve. é de estarrecer, mesmo. Gostaria de ser otimista quanto à educação pública, mas diante de um quadro deste, fica bem difícil.

R. R. Barcellos disse...

Pobre Alagoas... pobre terra de Zumbi, onde crianças são espoliadas de seu futuro e do seu presente por outros "zumbis", esses, sim, mortos-vivos - mortos de decências, vivos de podridões...
E no resto do Brasil o mal se espalha sem barreiras sanitárias. Até quando?
Beijos, querida.

Marcos Santos disse...

E o Maranhão? 161 escolas com o nome dos Sarney e 61% da população sem ensino básico. Esse país prefere criar caso com um integrante da Fifa que afirma que precisamos de um chute no traseiro. Mas os Sarney nos chutam onde?