No Balcão do Quiosque

terça-feira, 16 de julho de 2013

O AMOR É ESTRANHO


Ahhh quão estranha é essa forma de amar! Seria perfeita se fosse aquela que o apóstolo Paulo nos ensina em I Coríntios 13:4-7: “O amor é sofredor, é benigno, não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça e sim com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”
Todavia, amamos um amor enciumado, com contendas bobas às vezes. Sentimos medo de perdermos um ao outro; sentimos raiva por não sermos entendidos, de não sermos notados... Pensamos em desistir no meio do caminho quando sentimos os obstáculos maiores que nossas possibilidades[e muitas vezes voltamos ao ponto de partida...]. Irritamos por coisas corriqueiras, e fazemos de simples pingos de chuva uma tempestade.
Apesar de tudo, sinto que vale cada dia contigo, quando ao acordar vejo que me contempla com olhos de admiração. Admiração?? Como pode amor? Já não sou mais a jovenzinha que você conheceu e ao longo dos anos notou o meu transformar em mulher madura, um tanto mais segura, com uma voz mais mansa, uma personalidade mais flexível e um olhar mais profundo.
Esses dias, você me emocionou quando ao abrir meus olhos espantada pela hora já perdida para o trabalho,  disse-me simplesmente: “Eu podia ter te acordado, mas também perdi a noção do tempo ao contemplar sua beleza.”” Eu bela, e logo ao amanhecer? Cabelos desalinhados, lábios e olhos inchados?” “Sim, linda! Assim, lábios carnudos, olhos profundos que eu não canso de olhar a quase 30 anos...”
Veio-me tantas coisas para lhe dizer, mas fiquei com um nó na garganta... Aconcheguei-me em teus braços e deixei que as horas perdidas ficassem no tempo. Quase trinta anos sim! Conheci o amor quando olhou nos meus olhos! Conheci a paixão quando me beijou a alma, quando me despiu de pudores, quando me fez andar na “corda bamba” por mostrar-me que o céu pode ser tocado se os corações estão na mesma sintonia.
Houve sim muitos obstáculos em nossos caminhos, destrilhamos nossos rumos, mas os atalhos nos levaram ao mesmo lugar: Nossa vida juntos! Creio que os desencontros fazem parte do aprendizado, e é comum para qualquer ser humano. Somos humanos!
Inúmeras vezes já te declarei o meu amor, e nunca fui leviana em nenhuma dessas vezes! Leviana eu fui quando deixei de mostrar-te de formas diferentes o que tenho guardado na alma: Uma mistura madura de sentires tal como respeito, carinho, amor, amizade, confiança... Também não poderia mentir, dizendo somente coisas boas, pois em muitos momentos me sinto confusa e um pouco insegura, pois tenho medo que te vás e não me compre uma passagem para o mesmo destino...
Sinto raiva sim de você! Quando não consegue entender-me, quando teima em não ouvir o que realmente eu quero dizer, mas passa logo, pois sei que você não tem o dom da premonição, e nem de ter as mesmas opiniões que eu [afinal não são os opostos que se atraem?]. Fico chateada quando não percebe que troquei o esmalte “Vermelho Desejo” pelo “Vermelho Paixão”, sinto seu descaso quando não nota que tirei 2 cm do cabelo...  Mas te perdoo quando diz que sou linda ao acordar!
Sei que tenho me tornado mais dengosa, mais carente e isso se deve talvez porque já me sinto órfã dos filhos que criaram asas e querem deixar o ninho. Sou carente de você, de me fazer notar quando está concentrado em seus livros e estudos, de te provocar com gestos sensuais para ver aquele famoso brilho nos teus olhos.
Você sabe que sou louca e aceita a minha loucura! Sabe que eu busco no arco-íris o mundo coloridofeito pra nós, pois sei que ele existe.  Eu sou muitas em uma só e te amo de forma única, estranha, lúdica e misturada, pois o amor é tudo junto e separado: [In]certezas, [des]apego,  companhia,  amizade, paixão, respeito e por último, definitivamente ele é eterno [mesmo contrariando o poeta Vinícius de Moraes]

Marly Bastos

10 comentários:

Ana Bailune disse...

Boa noite, Marli. este é, sem dúvida, o texto mais lindo publicado neste blog. E ele fala de uma coisa tão simples e tão complicada, ao mesmo tempo: a convivência! Duas pessoas que se conhecem há trinta anos e ainda permanecem juntas, estão unidas pela 'cola' do verdadeiro amor. Se houvesse mais compreensão, paciência e tolerância entre os casais de hoje,com certeza não haveria tantos divórcios.

☆Lu Cavichioli disse...

AI meus sais o que é isso?????

Marly , cara mia, eu to aqui meio abestada com tanta coisa linda, e sincera que vc disse nesse texto.

E veja , vou te falar, esse olhar que recebeu de teu amor enquanto dormias, é mais que uma declaração de amor - é simplesmente a constatação de tudo que construíram juntos unidos por esse sentimento MAIOR - que tudo suporta e tudo perdoa e que sustenta pilares quando eles tremem.

Parabéns amiga e que Deus conserve esse amor que é infinito(mesmo)- após nossa partida. Eu creio.

Saudade de vc sua linda!

bacios

MARILENE disse...

Que lindo esse sentimento, Marly! Relações tem vários ingredientes e quando, após muitos anos, nenhum deles ficou insuportavelmente amargo, o amor existe, de fato. Bjs.

R. R. Barcellos disse...

Um poema de amor em prosa. Belíssimo!
Beijos.

Leonel disse...

Em algum lugar, no fim do arco-íris, existe tudo o que sonhamos...
Inclusive o amor eterno!
Belo post, Marly!

Mafalda Sofia Antunes disse...

Eu super adorei o teu texto amiga Marli,escreveste com bastante emoção e sentimento,fiquei encantada com as tuas palavras. Bom fim-de-semana e tudo de bom para ti!! http://mafaldinhaarte.blogspot.pt

Cozinha de Mulher disse...

Marly, cai em lágrimas ao ler seu texto..
Lindo repleto de emoção.. de pureza... de verdades.
Sentimento que toca quem por aqui passa..
Olha.. nem sei o que dizer..
Lindo demais..

Quem dera todos pudessem fazer desse texto suas histórias..

Um beijo carinhoso e um sábado lindo..

#*Marly Bastos*# disse...

Obrigada pelos comentários. Eu fiquei feliz em saber que meu texto foi tão apreciado, pois foi apenas uma homenagem simples que fiz ao meu amor. Acho que toda essência das palavras está na sinceridade e transparência das palavras. Amo quando amam.
Bjkas doces

Blog da Titia disse...

Lindona não sabia que também escrevia crônicas. E que crônicas!!! Amiga vc tem algum livro publicado? Me mande nome, editora pra eu comprar, por favor.
Agora uma reclamação: por que tirou o Palavresias do ar??? Hum?!
Negona um xero, fica bem, fica com Deus.
Ah, ainda bem que o Vinícius estava enganado e o amor, mesmo que não tão puro e sublime quanto o descrito por Paulo, dure para sempre.

#*Marly Bastos*# disse...

Titia eu não tirei o palavresias do ar, ele dá um erro "400 mxl" e eu estou tentando importá-lo para outro blog, mas estou me embananando mais ainda. E mesmo estando com o navegar certo aparece que está incompatível.
Não tenho livros rsrsrsr e escrevo para desanuviar a alma. Escrevo crônicas, prosas, reflexões, poesias e toda espécie de besteirol, mas me sinto realizada em divertir os amigos blogueiros.
bjks doces