Rosebel não sabia o que era o amor, apesar de ser o amor. De longe, seu pai a observava e contrito, assuntava:
“Minha bela Rosebel, tens o fulgor dos raios do sol e tua pureza preocupa desde os eternos macrocosmos até os átomos infinitesimais; a fonte por onde a vida jorra acalenta teu desejo que freme por criar mundos que bailem ao teu redor. Aquece tuas mãos suavemente no peito deste que vela por teus passos puros como de uma criança a pular por sobre as estrelas suspensas no vácuo do céu.”
Ao completar o seu primeiro eão, os olhos de Rosebel cintilavam ao divisar os campos além. Um forte anseio tal qual um espasmo cósmico, ondulava em reverberações no profundo do sem limites.
— O que deve haver além desses anéis que tanto apertam meu coração?
Não tão distante dali, a voz sem corpo, soou o cântico das diferenças. E na canção que se formou, um chamado voou como uma pomba alva até os olhos de Rosebel.
Ao sentir a ardência do poder crepitar nas câmaras acesas de seu coração, a jovem alma, pulou nos braços do abismo das formas. A cada etapa de queda livre, o vento da consciência burilava com o cinzel do desejo o desabrochar de insuspeitas realidades.
No canto escuro da sabedoria, espreitava Ideário.
Tão logo se tornou concêntrico os olhos de dentro com os olhos de fora, Rosebel quis o que seu desejo queria: criar. E criou, criou, criou... criou tanto que o mistério das formas cristalizou a emersão do exterior diante de seus olhos. No reflexo desse ato, o amor escondeu-se na aparência. E Rosebel viu que era bom, serviu-se do sabor da gratidão do dever cumprido e deitou-se pela primeira vez na sombra de sua criação.
Assim nasceu o início. E do início o ciúme pelo fim. Pois o fim ama sem complascência o início de cada finito.
Se você gosta de bom humor inteligente, nossa equipe de cronistas oferece diferentes abordagens sobre qualquer tema. Nosso objetivo é a interação. BOA LEITURA!
No Balcão do Quiosque
quinta-feira, 10 de março de 2011
domingo, 6 de março de 2011
Nada, é ver.
No centro de Preter, ao grande relógio encimado em um bloco retangular de granito com aproximadamente 30 metros de altura por 15 de base, a multidão prestava a saudação regular. Circulavam ao redor do obelisco em contínuas espirais. De olhos fechados, inspiravam profundamente com o nariz apontado para o céu. Buscavam sentir no mais profundo da alma o odor que o tempo exalava.
Os anciãos místicos diziam que o tempo estava acabando. A única forma de detê-lo era através da inspiração. A cada golfada de ar retida nos pulmões o presente se mantinha ativo. Ao expirá-lo, o passado cobria o céu de cinza cada vez mais escuro.
O sacerdócio em Preter era praticado pelos cientistas ficando com os místicos a tarefa nada agradável de convencer as pessoas de que o tempo não era uma ilusão pois se ele acabasse o nada passaria a vigorar e diante do nada, nada pode ser feito. Nesse compasso, transcorria a vida em Preter. Certo dia um forasteiro sabendo do que se passava nessa cidade, adentrou os seus limites e indo direto ao sumo sacerdote o inquiriu:
— Magnânimo sumo sacerdote, peço-vos conceder-me vossa preciosa atenção para a exposição que farei para salvar esta que é sem dúvida um modelo de avanço civilizatório ao qual...
— Hora, basta! Diga logo o que quer. O tempo é curto — pontuou o intempestivo sacerdote.
— Tenho a solução para manter o controle sobre o tempo!
— Estou ouvindo.
— Criei o relógio sem ponteiros.
Nesse momento o sumo sacerdote enclinou o corpo para frente e arquejando as sobrancelhas, sorriu cinicamente aguardando a explicação.
— Nós vamos ludibriar o tempo. Todos os relógios da cidade não terão mais ponteiros. O relógio passará a ser meramente um círculo vazio. Ao olharmos para ele não saberemos que horas serão. Não haverá mais atrasos; não havendo mais atrasos não haverá mais pressa; não havendo mais pressa sobrará mais tempo; sobrando mais tempo nunca faltará tempo para se fazer alguma coisa.
— E como se organizarão as coisas? Os compromissos? As coisas precisam ter um começo, meio e fim.
— Depois de muito refletir sobre essa questão concluí que é justamente isso que nos impede de evoluir.
— Explique melhor.
— Somos muito organizados. Mas uma organização toda ela dependente do tempo. Por isso qualquer coisa que organizemos não durará para sempre. Um dia ela acaba e tudo precisará ser reorganizado. Chamamos a isso de evolução mas não passa de recolher os cacos e dispô-los em nova configuração.
— Mas isso não significa dar força total para o nada?
— Nada disso. O que acontece é que exatamente o nada contém tudo. O nada não tem nada a perder. Pois a ele nada se atribui.
— Isso está me parecendo uma filosofia zen.
— Se fosse, estaríamos na mesma. E isso de nada adianta. Zen ou qualquer outra coisa só acrescenta e a cada coisa acrescentada ao nada, o nada deixa de existir passando a ser algo. E isso é algo de que não se precisa. Algo nada tem a ver com nada.
Nada de horas, nada de minutos, nada de segundos, nada de instantes, nada. O que precisamos é de nada.
— Brilhante! Como não pensei nisso antes? — exclamou entusiasmado o decano dirigente. Como poderemos então concretizar essa idéia? Qual o próximo passo? O que temos a fazer?
— Nada.
— Só isso? Simples assim? Quer dizer: ficar de braços cruzados?
— Quando o tempo deixar de existir, o nada se encarregará de tudo.
— E qual é o nosso papel ativo nesse processo.
— Ficar totalmente quieto. Nada fazer.
— Mas isso não faz sentido!
— Ainda bem. Pois é essa a idéia: o nada está além dos sentidos.
— Tem que haver algum observador nessa história. Alguma coisa que perceba o que está acontecendo para comprovar, corroborar sua existência. Uma consciência.
— Claro que existe. Esse “observador” é o nada.
— Não acha que essa idéia está metafísica demais?
— Nada importa o que eu acho. Tudo que tem importância se julga melhor do que o nada. Dessa forma corre-se o risco de se ficar sem nada.
— Muito bem. Hoje mesmo irei anunciar a todos, o que tenho em mãos para resolver definitivamente o problema do tempo: Nada.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Dos Sofismas e comportamentos Neuropsicóticos

Eu perguntei uma vez: "estamos no caminho certo"?
Olhei dos lados, conglomerados de intrínsecas defesas pendiam sobre a mesa. Carrancuda expressão!
Eu logo quis sair correndo... Pra onde? Só havia grades!
As marcas de sangue em meu braço demonstravam que tinha ficado dias na solitária tentando espernear ou morrer, quem sabe?
Todos os raciocínios davam encontrões nas artimanhas feitas de tijolos... “macios” aqueles tijolos.
Eu gargalhava. De súbito punha-me de cócoras aninhando-me da escuridão dos anos.
Casa dos horrores malditos! Apenas um som gutural sem muito volume em patéticas palavras entravam de fininho pela fechadura. Eu apenas soluçava.
Já nos últimos dias um cadeado subjugava minhas palavras , enquanto membros e sentimentos embotados numa argamassa involuntária de sôfregos suspiros, jaziam num metabólico estupor glacial.
Fatias de neurônios boiavam num coquetel psicotrópico na visão esquálida e suprema da revolta incontida. Eu tecia devagarinho minha viagem intra/utópico/uterina, na louca tentativa de expiar meus pecados tornando-me um ser neo-celular.
Possível passagem/trecho de um esquizofrênico.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Se as pessoas fossem...
Se as pessoas fossem vento você seria a suave brisa de verão que chega refrescante, doce, numa tarde de primavera, trazendo o perfume das flores do jardim, o canto do bem-te-vi distante, pousado entre os galhos de uma pequena árvore cujas folhas titilassem ao seu passar...
Se as pessoas fossem música você seria um adágio de Albinoni ecoando sobre um terraço, numa noite de luar...
Se as pessoas fossem flores você seria um cravo encarnado cujo perfume suave pairasse no ar...
Se as pessoas fossem poemas você seria "Ausência" de Vinicius de Morais...
Algumas pessoas são vento, música, flor, poesia... Algumas pessoas são... Apenas sonho!...
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Leia no Banheiro
Fiz uma pesquisa rápida no blog da Editora e sessenta e quatro pessoas responderam. É um número pequeno, levando-se em consideração a quantidade de leitores usuais do blog. Mas eu precisava de resultados da pesquisa para fazer este texto e pelo sim, pelo não, aí vai...
Pegando esse gancho da pesquisa, faço aqui considerações gerais: Perguntei se as pessoas compravam livros de autores novos, como as pessoas costumavam comprar livros, se liam e-book, quanto investiam por mês e qual leitura preferiam.
Para minha surpresa, a maioria esmagadora respondeu que comprava livros de autores novos. Livrarias físicas, sites e portais literários empataram na compra por livros. A maioria das pessoas não lê e-book, grande parte investe mais de R$ 45,00 por mês em livros e uma pequena parcela dos entrevistados lê poesia, sendo que a maioria prefere os outros gêneros literários – entre eles livros técnicos.
Alguma novidade até aqui? Penso que não, pois boa parte das pessoas que conheço em papos sobre livros pensam dessa maneira. A diferença é que todos que conheço fazem a leitura de poesias...
Vendo o resultado dessa pesquisa rápida, creio que declararam gostar de poesia porque me conhecem e sabem que escrevo poesia. Será? Deve bater aquele constrangimento na hora que falo que escrevo poesia e pergunto se a pessoa lê algo. As respostas são sempre muito parecidas: “Leio, sim! Li mês passado um livro lindo da Clarice, vou ler semana que vem um do Mario Quintana.”
Umas das respostas mais sinceras que recebi sobre a pergunta que faço com frequência (Você lê poesia?), foi a da secretária de minha ginecologista. Ela perguntou o que era poesia... Assim na cara! Penso que quando a gente trabalha com educação não se espanta tanto com as perguntas, logo levei um livro meu de presente e ela comentou: “Ah, poesia é isso? Livro bom de ler no banheiro!” Emendei: “É mesmo!”, pois não existe nada melhor que ter leitura boa no banheiro. Quem nunca leu uma embalagem de pasta de dente? Ou o verso do shampoo por falta de leitura boa?
Poesia é livro de banheiro, de bolsa, de cabeceira, de fila em banco, de sala de espera em médico. Por sinal, eu gostaria que as salas de espera dos médicos tivessem livros de poesias invés das revistas que nos ensinam em 100 passos a ser mais bonita ou sexy.
Sou leitora de poesias! Leio Hilda Hist, Álisson da Hora, Augusto dos Anjos, David Nobrega, Mario Quintana, Lú Cavichioli, Monica Saraiva, Camila Passatuto, Van Luchiari, Emily Dickinson, Cristiano Melo, Flávia Braun, Caroline Freitas, Florbela Espanca, Andrea Lucia Barros, Drummond e mais uma montanha de vivos e mortos, sejam eles em blogs que tenho prazer em seguir ou em livros adquiridos e que estão presentes no meu dia a dia, me presenteando com poesia de ótima qualidade!
A pesquisa mostrou, por enquanto, que poesia é lida por poucos. Talvez a poesia tenha-se reduzido à pressa, aos cento e quarenta caracteres ou mesmo a dois ou três poetas já finados.
Alguns devem achar difícil de entender... Quem sabe, por não saber que poesia carece de explicação ou entendimento. Não precisa ser doutor ou mesmo professor para ler, pode ser
entretenimento e – por quê não? –, leitura de sala de espera e de banheiro.
* Crônica escrita na revista cultural - 8
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
É Muvuca? É mercado de peixe?
NÃO: É UMA PADARIA!

Não sei em outros estados, mas em S. Paulo as padarias vestiram roupa de festa oferecendo espetáculos tentadores.
HAJA REGIME!
Logo na entrada você já se depara com prateleiras de vidro exibindo tortas, bolos redondos de todos os tamanhos e também por metro (pasmem). São bolos cortados no sentido horizontal que são vendidos por kilo e você escolhe o tamanho que quiser.
Daí quando olhamos para o outro lado, vemos mini-tortas de limão, morango, côco, mousse de chocolate, uva Itália ,acompanhadas com chantili ou marshmallow. As abelhinhas dividem o espaço com os clientes num bailado adocicado.
O Buffet de café da manhã, almoço e jantar são um desbunde, sem contar o cafezinho tradicional com pão na chapa, eu não dispenso.
Os panetones passeiam pela padaria o ano todo , exibindo silhuetas imponentes na mescla doce/salgado. Recheado com doce de leite e cobertos com trufas. Para quem prefere os salgados, temos de provolone, salame, calabresa e as mais variadas coberturas te deixam babando, como por exemplo a de parmesão. É um disparate! Enquanto na bancada dos salgadinhos vemos empadas, miniquibes, bolinha de queijo, mini esfiras, bolinho de bacalhau e de carne com massa de batata, mini lanches com pãezinhos de leite recheados com catupiry e peito de peru. Rocamboles de presunto e queijo, lingüiça, escarola com tomate seco. E aí você continua meio tonto no meio de tantos quitutes que resolve virar a cabeça pra disfarçar mas encontra com a vitrine dos petit-fours doces e salgados. O tradicional pão francês que namoram as baguetes que podem ser simples a recheadas, que por sua vez fazem ciúme pras ciabattas que acabam por seduzir os clientes porque eles encontram ao lado toda sorte de patês que estão ali para degustação.
Logo vem um aroma de carne louca, daquelas bem temperadas que lembram nossas avós na beira do fogão. Aturdido o povo vai de encontro ao balcão da degustação e daí vocês podem concluir que alguém (com certeza) vai levar um pouco pra viagem.
Num espaço reservado ao fundo, vemos aquele desfile de freezers com sucos, refrigerantes, iogurtes, água de côco, água aromatizada e gaseificada . Leite de soja, massas frescas, cervejas, sorvetes , chás gelados e até saladas montadas em embalagens plásticas.
Na hora de pagar? Ciladas esperam por você : são as conveniências que brilham como pisca-pisca e que te fazem perder o controle das mãos (principalmente se alguém grita perto de você: MANHÊ EU QUERO! Estão ali, pequenos chocolates, chicletes, balinhas, trufas ,pão de mel, bem casados, pirulitos, etc etc...
Finalmente você vai embora, carregado de sacolas, carteira meio vazia ou vazia de vez, talvez salva (por hora) pelo cartão débito/crédito.
Na semana seguinte você encontra com uma balança e resolve fazer um embate com ela. Toma um susto e pensa:
_”Mas como vamos desistir dos pequenos prazeres que a vida nos oferece?” Nem pensar!



imagens google

Não sei em outros estados, mas em S. Paulo as padarias vestiram roupa de festa oferecendo espetáculos tentadores.
HAJA REGIME!
Logo na entrada você já se depara com prateleiras de vidro exibindo tortas, bolos redondos de todos os tamanhos e também por metro (pasmem). São bolos cortados no sentido horizontal que são vendidos por kilo e você escolhe o tamanho que quiser.
Daí quando olhamos para o outro lado, vemos mini-tortas de limão, morango, côco, mousse de chocolate, uva Itália ,acompanhadas com chantili ou marshmallow. As abelhinhas dividem o espaço com os clientes num bailado adocicado.
O Buffet de café da manhã, almoço e jantar são um desbunde, sem contar o cafezinho tradicional com pão na chapa, eu não dispenso.
Os panetones passeiam pela padaria o ano todo , exibindo silhuetas imponentes na mescla doce/salgado. Recheado com doce de leite e cobertos com trufas. Para quem prefere os salgados, temos de provolone, salame, calabresa e as mais variadas coberturas te deixam babando, como por exemplo a de parmesão. É um disparate! Enquanto na bancada dos salgadinhos vemos empadas, miniquibes, bolinha de queijo, mini esfiras, bolinho de bacalhau e de carne com massa de batata, mini lanches com pãezinhos de leite recheados com catupiry e peito de peru. Rocamboles de presunto e queijo, lingüiça, escarola com tomate seco. E aí você continua meio tonto no meio de tantos quitutes que resolve virar a cabeça pra disfarçar mas encontra com a vitrine dos petit-fours doces e salgados. O tradicional pão francês que namoram as baguetes que podem ser simples a recheadas, que por sua vez fazem ciúme pras ciabattas que acabam por seduzir os clientes porque eles encontram ao lado toda sorte de patês que estão ali para degustação.
Logo vem um aroma de carne louca, daquelas bem temperadas que lembram nossas avós na beira do fogão. Aturdido o povo vai de encontro ao balcão da degustação e daí vocês podem concluir que alguém (com certeza) vai levar um pouco pra viagem.
Num espaço reservado ao fundo, vemos aquele desfile de freezers com sucos, refrigerantes, iogurtes, água de côco, água aromatizada e gaseificada . Leite de soja, massas frescas, cervejas, sorvetes , chás gelados e até saladas montadas em embalagens plásticas.
Na hora de pagar? Ciladas esperam por você : são as conveniências que brilham como pisca-pisca e que te fazem perder o controle das mãos (principalmente se alguém grita perto de você: MANHÊ EU QUERO! Estão ali, pequenos chocolates, chicletes, balinhas, trufas ,pão de mel, bem casados, pirulitos, etc etc...
Finalmente você vai embora, carregado de sacolas, carteira meio vazia ou vazia de vez, talvez salva (por hora) pelo cartão débito/crédito.
Na semana seguinte você encontra com uma balança e resolve fazer um embate com ela. Toma um susto e pensa:
_”Mas como vamos desistir dos pequenos prazeres que a vida nos oferece?” Nem pensar!



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domingo, 6 de fevereiro de 2011
Espanto ante fotos antigas
Ontem depois do jantar, estávamos reunidos no quarto de minha filha, quando a propósito já nem sei do que, os meninos quiseram ver umas fotografias antigas. Abri meu laptop em meus arquivos de fotos em preto e branco e, numa determinada pasta lá estavam elas, as fotos que meu tio Antônio, em sua irreverência diria serem "do tempo do Onça"....
Os meninos foram olhando, interessados, perguntando quem era um, quem era outro e, num determinado momento, ante a foto de uma garotinha, um espanto ao saber que aquela menininha de olhos já sonhadores era eu.
- Você, Vó? desse tamanho?!
- Eu mesma, Porque o espanto? Você não está pensando que fui velha a minha vida inteira, está?, respondi sorrindo.
Espanto maior nos rostinhos meio incrédulos, depois a lembrança de uma foto de meu casamento sobre a escrivaninha do meu quarto e uma nova exclamação engraçadíssima:
- Ah, já não penso mais, porque “agora” você disse e eu estou vendo as fotografias...
E, daí para a frente, foi um tal de um espanto atrás do outro, para os dois pequenos que acabaram por descobrir que esta avó já entrada em anos um dia correu pelas ruas, pulou corda, jogou amarelinha, foi a escola para aprender a ler, cresceu, teve seus sonhos e seus amores, cumpriu galhardamente seus caminhos para, finalmente chegar ao posto de matriarca (sem poder) feliz com a família que conseguiu criar.
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