Não são os 75 ou 80 anos como média calculada de existência que me faz pensar nisso como o produto final de uma conta fria e realista da cota de tempo inevitável. Em nossa bula de nascimento já está datado o prazo de validade. Mas, expectativa de vida entra e sai pelas narinas; por um ouvido e sai pelo outro; não mastigamos a existência, a engolimos apressadamente. Apressada mente que não descansa um só instante mas sorve em grandes goles a própria razão de existir deixando pelo caminho rastros que se apagam assim que a pressão do peso consciente, caminha como se existisse um caminhar. Estamos sempre na expectativa de que a vida não desapareça, não faça visita de médico a ponto de nem para um cafezinho ficar. Por quê? Agora, que a conversa estava boa, e já se vai? Ou é para ir mesmo e eu é que fico para trás; não sigo adiante, não mergulho no sumidouro do inexplicável.
É a minha ansiosa ou serena expectativa que afasta a vida para longe de mim; ou é a vida que faz vistas grossas como se eu não existisse? Passa por mim e me deixa falando sozinho, com meu gesto no vácuo estendendo-lhe a mão... E lá se vai, toda cheia de vida e eu aqui, com meus restos de consciência a ter-me como alguém na expectativa de que olhe para trás... uma olhadinha só e me dê um aceno, um “vem comigo”. E porque não vou?
Algo percebi: que a vida não olha direto nos olhos mas dá uma piscadela rápida e misteriosa como que aguardando, sem expectativas, que eu supere as minhas. Isso eu já fiz, há muito tempo. Só, que ainda não me dei conta.
Se você gosta de bom humor inteligente, nossa equipe de cronistas oferece diferentes abordagens sobre qualquer tema. Nosso objetivo é a interação. BOA LEITURA!
No Balcão do Quiosque
segunda-feira, 18 de julho de 2011
domingo, 3 de julho de 2011
sexta-feira, 1 de julho de 2011
O fim...
Será como a gota d´água
a secar impassível ao calor do sol?
Ausência de memórias?
Ou todas elas avalanche a disputar
cada palmo da bruxuleante consciência?
Sou boneco de corda que sonha
sonhar encontrar o criador dos sonhos
Apertar-lhe a mão para sentir se
tudo não passa de um sonho
Ainda que meu coração — esse relógio de pulso
comigo a cada impulsiva batida dos segundos —
seja forte diante dos ecos de tão montanhosa nostalgia,
far-me-á um simplório vapor a deslizar suavemente na dissipação
Sem medo, sem alegria
Se ao fechar meus olhos
Eles se mantiverem abertos
Exaltarei as bodas do silêncio
Com elas sentir-me-ei um corpo oco de existência
Mas pleno de vida atrevid
Será como a gota d´água
a secar impassível ao calor do sol?
Ausência de memórias?
Ou todas elas avalanche a disputar
cada palmo da bruxuleante consciência?
Sou boneco de corda que sonha
sonhar encontrar o criador dos sonhos
Apertar-lhe a mão para sentir se
tudo não passa de um sonho
Ainda que meu coração — esse relógio de pulso
comigo a cada impulsiva batida dos segundos —
seja forte diante dos ecos de tão montanhosa nostalgia,
far-me-á um simplório vapor a deslizar suavemente na dissipação
Sem medo, sem alegria
Se ao fechar meus olhos
Eles se mantiverem abertos
Exaltarei as bodas do silêncio
Com elas sentir-me-ei um corpo oco de existência
Mas pleno de vida atrevid
sexta-feira, 10 de junho de 2011
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Sobre Cordéis e Encantamentos
Até onde consigo supor, a novelinha água com açúcar da Rede Globo está realmente abocanhando súditos e plebeus no horário vespertino.
Tenho a impressão (talvez (in)sensata), de que a emissora tenha finalmente acertado a mão na mistura do bolo, posto que personagens e enredo fermentaram a massa, temperando sagas e seus coronéis, chicoteando lampiões na porfia do cangaço e suas ditas justiças entre céus e terras. Aditivado com maestria brasões e barões assinalados da realeza e suas majestades.
Já fui noveleira, e das boas! Mas hoje, fiquei mais seletiva e para me contentar a história tem que ser pra lá de boa, mesmo porque também sou uma contadora de histórias. Por isso mesmo que esse texto foi se desenhando em minha frente, manchando uma inocente folha de papel, que mastiga minhas palavras para que ao final a digestão se faça sem azias.
Se fosse eu a contadora desta historinha açucarada, faria tudo ao inverso, fazendo da princesinha sertaneja uma engolidora da nobreza com toda pompa e ambição possíveis. E não essa coisinha triste que joga pela janela, vestidos e coroas, medalhas e impérios que galopam garbosos no passo do príncipe consorte.
Eu mostraria sim, seu lado ambicioso e, sobretudo sua ganância e o desenrolar profano da nobreza sobre o povo (até que seria interessante).
De resto, vemos fábulas e realidades no caldeirão das paixões, com muita água pra passar debaixo da ponte.
E como toda cidadezinha esquecida no mapa há um padre, um prefeito, um delegado, um doidivanas qualquer somados a personagens folclóricos e hilários que fazem a diferença diante do público, onde a criatividade deve destacar-se com doses de inteligência e bom humor. E isso, creio, eles fizeram.
Não há mais o que comentar. Deixo a cargo de meus leitores e amigos e, quem sabe isto se torne um debate novelesco e noveleiro.
Abraços
Lu Cavichioli
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Meu comentário sobre a questão Vida após a morte que foi colocada por minha amiga Ana Guimarães.
"um conto de fadas para quem tem medo do escuro"
Stephen Hawking
Um paralelo interessante sobre essa questão encontramos na mitologia como apoio para reflexão sobre a lógica. Como aquela que afirmando que 4 elefantes sustentam o universo, alguém questionou: "mas, onde se encontram os elefantes?" O sustentáculo da racionalidade do homem contemporâneo é cartesiana mas, a passos largos, vem sendo trincada nos seus sedimentos postulados. O que se vê hoje _ e isso de certa forma velado_ é o embate entre evolucionistas e criacionistas. Os primeiros, calcados no Darwinismo, afirmam por A+ B, que a vida surgiu como que randômicamente.
Algo como uma descarga elétrica como fator ígneo, eletrificou um caldo de proteínas as quais foram se agregando e como um "Lego" aleatório, montaram toda essa complexa máquina que é a vida nas suas variadas manifestações.
Principalmente a manifestação do ser humano que hoje dotado de um intrincado sistema bio-psíquico, escarafuça como um aprendiz de feiticeiro, os meandros da energia nuclear sem saber o que fazer quando se vê diante de uma sequência de portas que se abrem a cada descoberta da física avançada, de que o átomo não possui apenas um núcleo mas sim desafiam os limites impostos pelos conceitos dialéticos de pequeno e grande. Já os criacionistas se referem a essa afirmação dos evolucionistas, como a teoria do relojoeiro maluco onde um relojoeiro jogaria aleatoriamente para o alto as inúmeras peças e ao cairem se juntam inteligentemente nos seus respectivos encaixes.
Os criacionistas afirmam que não é possível que não exista uma inteligência por detrás da criação; afirmação essa que traça perspectivas mais férteis para o entendimento da Vida como um continuum onde consciência corrobora realidades. Infelizmente em termos acadêmicos, a supremacia do sistema evolucionista, como uma "caça às bruxas" vem eliminando sistematicamente das bases do conhecimento humano, essa vertente que oxigena valorosas percepções da realidade. Tanto que eminentes catedráticos nas mais proeminentes universidades como Oxford, Yale, Princeton, Harvard, Stanford, etc, vem tendo suas vidas acadêmicas destruídas por essa perseguição que mais lembra um estigma que a humanidade cultiva: a Inquisição do pensamento livre, diferente, que tem como um termo raiz a palavra herege que significa originariamente alguém que ousou ultrapassar um status quo moribundo e decadente.
Stephen Hawking
Um paralelo interessante sobre essa questão encontramos na mitologia como apoio para reflexão sobre a lógica. Como aquela que afirmando que 4 elefantes sustentam o universo, alguém questionou: "mas, onde se encontram os elefantes?" O sustentáculo da racionalidade do homem contemporâneo é cartesiana mas, a passos largos, vem sendo trincada nos seus sedimentos postulados. O que se vê hoje _ e isso de certa forma velado_ é o embate entre evolucionistas e criacionistas. Os primeiros, calcados no Darwinismo, afirmam por A+ B, que a vida surgiu como que randômicamente.
Algo como uma descarga elétrica como fator ígneo, eletrificou um caldo de proteínas as quais foram se agregando e como um "Lego" aleatório, montaram toda essa complexa máquina que é a vida nas suas variadas manifestações.
Principalmente a manifestação do ser humano que hoje dotado de um intrincado sistema bio-psíquico, escarafuça como um aprendiz de feiticeiro, os meandros da energia nuclear sem saber o que fazer quando se vê diante de uma sequência de portas que se abrem a cada descoberta da física avançada, de que o átomo não possui apenas um núcleo mas sim desafiam os limites impostos pelos conceitos dialéticos de pequeno e grande. Já os criacionistas se referem a essa afirmação dos evolucionistas, como a teoria do relojoeiro maluco onde um relojoeiro jogaria aleatoriamente para o alto as inúmeras peças e ao cairem se juntam inteligentemente nos seus respectivos encaixes.
Os criacionistas afirmam que não é possível que não exista uma inteligência por detrás da criação; afirmação essa que traça perspectivas mais férteis para o entendimento da Vida como um continuum onde consciência corrobora realidades. Infelizmente em termos acadêmicos, a supremacia do sistema evolucionista, como uma "caça às bruxas" vem eliminando sistematicamente das bases do conhecimento humano, essa vertente que oxigena valorosas percepções da realidade. Tanto que eminentes catedráticos nas mais proeminentes universidades como Oxford, Yale, Princeton, Harvard, Stanford, etc, vem tendo suas vidas acadêmicas destruídas por essa perseguição que mais lembra um estigma que a humanidade cultiva: a Inquisição do pensamento livre, diferente, que tem como um termo raiz a palavra herege que significa originariamente alguém que ousou ultrapassar um status quo moribundo e decadente.
sábado, 7 de maio de 2011
Sem Verbos
De onde?
De um desafio antigo,
De um soneto empacado,
De um bate-papo amigo,
De um coração namorado.
SONETO SEM VERBOS
Um soneto sem verbos - desafio
De um amigo mais da onça do que meu;
Uma quadra, talvez, só por desfastio...
Talvez não ... e um tchau do amigo teu.
Mas rendição nunca! que vergonha!
Nunca a derrota! A fuga, não!
Covarde! Temeroso! Vil pamonha!
A um poeta, tais epítetos ao chão!
Calíope! Euterpe! Clio! Erato!
Ágil Terpsícore! Musas belas!
Doadoras de luz, de aquarelas!
Socorro! Sus ao poeta, ao insensato,
Ao campeão vosso, ao vosso amor,
De um soneto sem verbos fazedor!
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