No Balcão do Quiosque

terça-feira, 4 de maio de 2010

A Marcha da Maconha

O Rio de Janeiro, na verdade Ipanema, foi palco de mais uma passeata pela legalização da baforada. Maconheiros do tipo "cabeças feitas" e "cabeças incríveis" desenterraram, sabe-se lá Deus de onde, disposição para "marchar" a beira mar, pois é mais fresco e ninguém é de ferro.

Mais uma vez, sob o risco de ser tachado de reacionário, vou expor a minha opinião sobre esse assunto.

Todo menino nutre idolatria por alguém. É normal, faz parte da vida. Um dos ídolos que tive na infância, além do meu primo mais velho, foi meu vizinho Paulo Henrique.
Paulo era aquele tipo de adolescente bacana, que protege os meninos menores e os valoriza como indivíduos. Bom de bola, Paulo não usava esse atributo para barrar os mais fracos e pernas de pau de plantão. Nas peladas do Paulo, todo mundo jogava. Estudioso, Paulo foi primeiro entre nós a concluir o ginasial, até que um dia foi apresentado à "inocente maconha".

Diferentemente dos "cabeças feitas" da Zona Sul do Rio, Paulo era um rapaz "baixa renda" da antiga Zona Rural da cidade. Lá, na Zona Rural, só vencia na vida quem trabalhasse. Não existia a opção do papai político, do funcionário público de alto escalão, ou do papai empresário, arrumar aquela "colocação" para o filho bonitão. Lá, quem não trabalha visita rapidamente o lado mais negro da vadiagem. O camarada bate de frente com o desemprego e por decorrência com o crime.

Fui gerente de uma fábrica com mais de 300 funcionários e posso dizer de cadeira:  Eu não entrego um torno, uma fresa, uma retífica, uma prensa, ou qualquer outra máquina operatriz que seja, nas mãos de um maconheiro. E os motivos são simples:  Falta de disposição, falta de reflexos, falta de compromisso. O maconheiro é um péssimo trabalhador, um vagabundo em potencial.

Quando vejo o Deputado Carlos Minc aderindo a essa babaquisse, só consigo pensar que ele tenha merda, mas muita merda mesmo, na cabeça. Talvez se explique por sua origem, onde maconheiros e cheiradores conseguiam aquele "arranjozinho". Onde a produtividade e a responsabilidade de um emprego não faziam parte do cardápio, pois no final, o filé mignon sempre seria servido.

Paulo Henrique não teve essa camaradagem. Da maconha passou para a cocaína e da cocaína sem dinheiro, passou para a cachaça em doses cavalares. Hoje Paulo é um trapo humano, sem condições de ler esse texto.
Meu ídolo de infância, aquele adolescente forte e vigoroso, jaz moribundo. Um zumbi afogado nos seguidos copos da aguardente.

A maconha, na boca de um bacana é uma curtição, na boca do proletariado é o início do triste fim.
Gosto muito de trabalhar, devo ser mesmo um tremendo reacionário.

Em tempo:
A passeata pedindo a liberação da maconha no vasinho, reuniu 1500 pessoas.
A passeata pedindo a aprovação da Lei Ficha Limpa contra a corrupção, reuniu 500 pessoas.


Marcos Santos
Rio de Janeiro

Um comentário:

neo-orkuteiro disse...

Que coisa, Marcos. Também conheço um homônimo, Paulo Henrique, que, ... bem, xapralá.
Não gostar de maconha nem de maconheiros realmente até pode, pra muita gente, parecer coisa de reacionário, ainda que este não seja o seu caso.
O que realmente não comporta discussão é o fato de que escolher livremente do que gostar e do que não gostar é um direito inalienável seu, e de todo mundo (euy diria que inclusive dos maconheiros, porque não?).
E o Quiosque segue em frente.
Abraço