quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

* Andanças pela Itália...

Nerola_Itália


Aqui um pouco das minhas andanças pela Itália, colocando em palavras um pouco do que vivemos por lá.



É lógico que não vou falar das coisas óbvias, que todos os que visitantes já sabem e conhecem. Vou trazer sempre um pouco do meu toque , o meu enfoque sobre uma situação, em geral bem humorada... É uma forma de lembrar e até homenagear os italianos e envolvidos...



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Quando nosso filho, Gordo, foi pra Itália, ainda um "gurizinho" de 21 anos, foi morar em Nerola, uma linda e pequena cidadezinha, perto de Roma, seguidamente íamos para lá.



Essa cidade foi onde nasceu o Franco e por isso, a escolhida.



Nerola é uma cidadezinha da região do Lázio, Província de Roma , com pouquíssimos habitantes, cerca de 1.419. Bem, ali, além da parentada toda, que é normal...(o que é nosso é sempre normal!!!) ainda há aquelas mulheres antigas que se vestem todas de preto.



Nada contra o preto, pois gosto muito, porém, lá é da cabeça aos pés, andam com um tipo de avental por cima das roupas boas e assim vão pelas ruas, fazer suas compras no mercado.



Na cabeça, usam panos pretos amarrados.



Ninguém imagina que está numa cidade tão perto de Roma, com tanta diversidade de costumes...




Bem tudo isso pra dizer que como eu gostava muito e fazer caminhadas, andava sempre ao estilo Chica: calças próprias para caminhadas, tênis e roupas leves, pois caminhando, embora fizesse frio, o calor chegava...




Isso causava um escândalo, pois lá as mulheres não usavam esse tipo de roupa, muito menos, tênis...




Além do mais, os casacos eram colocados no início do outono e atravessavam o inverno inteirinho, mesmo que de repente, a temperatura estivesse alta, parecendo verão...



Elas seguem rigorosamente o traje, de acordo com a estação! Dane-se o resto!




Assim, causava espanto e diziam que eu estava sempre "pelada"!




Ao passar na rua era sempre saudada, pois sempre cumprimentei a todos por onde passo.




Perguntando se está tudo bem, vinha de volta um : - Si tira avaaaaanti!( Vai se levaaaaaando). Isso é clássico por lá!




Porém, para que se pudesse fazer essas caminhadas, éramos obrigados a andar pelas matas e ruas bem escondidos, pois se passássemos pelas ruas da cidadezinha, a cada porta ou melhor, a cada janela onde sempre havia alguém que ou era parente ou se lembrava do Franco quando pequeno, esse nos chamava e convidava para um café:




- Francuccio, vieni a prendere un caffé?




Porém, esse café, não era apenas "um café": tinha todo o acompanhamento, independentemente do horário que por lá aparecíamos...




Tinha certemente um "ciambellone", (nome lá usado pra tudo que se parece com bôlo ou feito no forno), ou uma "crostata", uma tortinha de frutas e um licor ou vinho.



Mesmo que fosse quase hora do almoço!



Assim, se não nos embrenhássemos pelas matas pra caminhar, voltaríamos de lá sem necessidade do avião: chegaríamos aqui no Brasil rolando! chica

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Fim de ano de novo.

É... o Natal tái... e eu nem aí. É um evento que merece uma substanciosa reflexão. Eu gosto... sabe do que eu gosto mesmo nessa época natalina? É curtir as decorações. Principalmente as luzes; muitas luzes acendem lá pra baixo dos porões dos arquétipos do inconsciente, a atração pela luz. Isso me fascina. Sou capaz de andar horas pelas ruas bem decoradas e iluminadas. Mas, como citei no início, tenho minha percepção desse calendário, de uma forma que talvez não agrade a alguns ou muitos dada a sua artificialidade constituida. Fiz até há algum tempo atrás, essa singela poesia onde expiro minhas circunspecções a respeito.
Enjoy and that all folks!


INATO NATAL

O mundo é um Natal que não deu certo
Por isso enfeita-se a realidade
Maquia-se a caridade
Faz-se noite feliz

Árvores secas de vida
Abrigam presentes
Que não são sementes
Apenas piscam...piscam...

E a noite vai passar
Como todas as coisas passam
E voltam os sonhos em trenó
Através dos olhos de uma criança
Que só tem na lembrança
Reminiscência de um mundo melhor

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Deus resiste?

Não. Deus não resiste. Após eônicas pesquisas, reflexões monásticas, posturas yogues, elocubrações xamânicas,debates sócio/político/filosóficos e escaneamentos científicos, chegou-se a retumbante descoberta da não resistência de Deus. Na verdade, somente a verdade, nada mais do que a verdade, quem resiste é o homem. Esse sim é o verdadeiro e único resistente no indecifrável infinito universo. Ele fez-se a si mesmo semelhante a si próprio.

Diante de tanto sofrimento e corrupção um Deus resiste?
O homem, por sua resistência, que são seus atos e tudo que ele cria a sua volta, determina a prova inconteste do resistir — "penso, logo resisto".

Mas os séculos passarão e eu, um passarinho na mão mais do que dois voando, me valerei de máximas e mínimas tais quais “a soma de que tudo sei é que nada sei”.

Não sei quanto tempo resistirei mas uma coisa é certa: assim que eu deixar de resistir será como se Deus nunca resistisse.

* Reminiscências de um colégio...




Quando morávamos no Rio de Janeiro, estudei nos últimos anos, no Colégio Cruzeiro, um colégio alemão com a disciplina rígida.


Eram tempos em que as filas eram separadas, a dos meninos e a das meninas.Havia grandes escadarias, uma em cada canto do corredor, onde também uma era pra eles outra pra elas.


Estranho pensar nisso hoje, mas era assim e olhem que não sou jurássica...


Bem, até no barzinho da escola devíamos fazer essa separação nas filas.


Mas, nas classe, sentávamos juntos, não havia essa distinção e então, as bagunças eram mistas e das boas. Aprontávamos bastante.


Tinha um professora, de tranças enroladas na cabeça, D.Julieta, nunca esqueci seu nome ,que tinha por hábito, antes de começar a aula, fazer uma espécie de relaxamento e movimentos de inspiração e expiração que dizia fazer bem para que nunca ficássemos com "saboneteiras", como ela se referia aos ossinhos afundados ao lado do pescoço.


Na verdade, eram exercícios que ajudavam a nos manter mais tranquilos.


De qualquer forma foi algo que nunca mais esqueci entre tantos fatos marcantes por ali.Eu morava no Flamengo e o colégio era bem longe.


Então eu ia com o ônibus escolar, onde ali mesmo começava a festa. Sentava sempre no último banco e era uma farra antes das aulas.


A tragédia era o retorno pois eu após as aulas , tinha que fazer aulas de alemão(D.Gerda) e ainda esperar o ônibus voltar da primeira viagem.


Assim, nesse intervalo, havia um gordo e velhoprofessor, Sr. Jonas, que cuidava da turma e coordenava tudo para que usássemos o tempo fazendo os temas para o dia seguinte...


Ora bolas, quem é que aguentava tanta reponsabilidade e ficar quietos tanto tempo, só com coisas "chatas"???


Poucos, entre os quais eu não me incluía. Queria mais era agitar e fazer folias...


Assim aquele alemão muito "delicado", me colocou o nome "muito gentil":câncer, pois eu era, para ele, incurável.


Parece que o vejo, ainda hoje, correndo de um para outro lado, pois eu levava baratinhas cri-cri, aquelas que fazem barulhos e dava para colegas em outros cantos da sala.


Assim, quando um lado estava quieto, o outro começava, quase enlouquecendo aquele pobre professor.


Tenho certeza que fui medonha, mas por força dos horários muito puxados e ainda por cima, sem almoço.


Retornava para casa por volta das 14.00 horas. Era braba a coisa.


Mesmo assim, valeu! Conseguia me divertir ainda assim!Tinha ainda a Frau Margarida, que dava aulas de francês e inglês, era uma velhinha bem baixinha ( essa era a imagem que tínhamos dela, no entanto não devia ter mais do que eu hoje...).


Um dia, ela me aparece na sala com os joelhos todos esfolados, toda ralada.


Havia caído e o pior...perdera sua dentadura... E mesmo assim, a crentona ainda foi dar aula.


Como eu sentava no primeiro banco perto do púlpito(assim era naquela época) fui uma das primeira a observar esse detalhe dos dentes ou...a falta deles.


Foi muito engraçado e como podem imaginar, nada mais consegui fazer naquela aula, pois as risadas eram mais fortes do que minha vontade...


Lembro ainda que no dia que tivemos que sair do Rio pra voltar para o RS, era no meio do ano e os professores todos fizeram a maior despedida junto com os alunos e até o diretor, Seu Borges, como o chamávamos, a quem eu frequentemente visitava compulsoriamente, veio se despedir de mim.


Isso também evidenciou um tratamento diferenciado, onde não parecia que fôssemos apenas números, mais um entre os muitos alunos e sim uma aluna.


E olhem, tenham certeza que não fizeram isso como festa por estarem se livrando de mim, me acompanhando até o portão pra ter certeza que eu realmente me ia,rsrssr...


Fatos como estes ficam pra sempre guardados e agora o Neno que já inicia em 2010, seu segundo ano, num colégio que é o mesmo desse de lá, até professores daquele vieram para cá.


Espero que ele receba o mesmo tratamento como gente e não como número e que possa após tantos anos, como eu, lembrar tanta coisa boa de um colégio...


E que faça suas peraltices mas das boas como aquelas...


Essas fazem bem e nos fazem ser crianças na hora certa e ter o que contar depois...(Chica)


Imagem: emblema que era colado no bolso da blusa do uniforme(Google)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pesos e medidas

O que pesa mais?
1 quilo de felicidade ou 1 quilo de tristeza?
1 quilo de falsidade ou 1 quilo de autenticidade?
1 quilo de amor ou 1 quilo de ódio?
1 quilo de honestidade ou 1 quilo de corrupção?
1 quilo de consciência ou 1 quilo de alienação?
1 quilo...1 quilo...1 quilo...
É só 1 quilo...
E a balança é uma balança porque possui 2 pratos vazios
E duas medidas são sem medidas diante do peso da interpretação
Malhas e cercas de burocracias farpadas afastam e enfastiam
O solar idealizador das quimeras temporais

Sou apenas vestígios de uma sombra que pensa pensar com clareza
É melhor não entender pelo tanto que o entender limita
É melhor saber pelo vasto que o saber liberta

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

São tantas emoções, mais um dia na casa do Quiosque



Boa tarde meu Quiosque, você anda tão esquecidinho, meio abandonado. Tudo por conta das correrias da vida. Mas sabe, estive pensando na correria e me perguntando se vale a pena correr tanto de um lado, de outro, pra cima e pra baixo. Tem horas que vejo tudo passar tão rápido na minha frente que dá até medo. Um medo nem sei de quê, mas que ele mostra sua carranca lá mostra.

A tarde está quente e o sol abraça a Terra cada vez mais forte, sufocando suas entranhas tornando tudo lento, cansativo e nessa morosidade vamos indo e vindo. Hoje eu não parei na contra mão. Estacionei em frente ao jardim do Quiosque e vi as flores acompanhadas de um pássaro e outro. Olhei pras janelas umas fechadas, outras entreabertas. . Ainda bem que a porta da frente estava encostada. Empurrei e vi a nossa Chica contando a história da areia movediça e o melhor, ela estava saboreando um pedaço do meu bolo de aniversário que deixei no Retratos.

Ia cantarolando enquanto dava uma geral em sua sala onde as sementinhas pululam nas cores da vida.
Passei por ela, lhe dei um beijo e subi a escada caracol um tanto cabisbaixa. Parei lá no alto, olhei as salas, todas vazias, algumas escuras e tristes.

A sala Madrepérola ostentava sua porta nacarada . Toquei na maçaneta de pérola e vi que estava trancada. Em seguida algo me chamou a atenção: havia um bilhete avisando que ela estaria aqui à noite. Que bom, assim ela me ajudaria com o tal de Indriso, nosso neo amigo poético. Nesse m omento toca meu celular, era ela: Dona Graça Lacerda. Mas que coincidência?!

Depois de um papinho breve continuo minha ronda e entro na sala enigmática .Sua escrivaninha está cheia de papéis empilhados sobre uma pasta alaranjada. Ao lado vemos uma luminária em forma de sol. Na cadeira uma jaqueta, esquecida e adormecida, um óculos escuro na mesa de canto faz companhia ao abajur. Será que o Leandro passou aqui hoje?

Na próxima saleta acendo a luz e me deparo com duas poltronas forradas de cetim floral e uma estante em patena acastanhada que abriga de Foucalt até Clarice Lispector. O vaso de flores ainda exibe a beleza incomparável das rosas vermelhas que gritam por um pouco de luz. Então abro a persiana, olho na parede e vejo o sorriso iluminado da Rose no painel que a Graça fez para o blog Rosa. Passo a mão pelas rosas, esboço um sorriso no canto da boca e saio tranqüila.

Agora eu caminho até o final do corredor, onde temos ainda 3 salas. Vou aproximando-me da porta camarão com vidro fosco entremeada por uma pintura lilás na madeira brilhante. Abro e me deparo com um tapete entre o céu e o mar no azul de suas nuances. O aroma do incenso ainda perdura e, neste momento, parece que ouço flautas ou pífaros em cada canto da sala.
É uma sala feminina, feita de laços e rendas. Na mesa, um livro escrito pela dona Fantasia e sua discípula: Madalena Barranco.

Mais na frente restam duas portas que estão abertas e nelas vejo luz. Será que tem alguém trabalhando? Apresso o passo e encontro O João que deu aquela passadinha básica deixando no ar seu toque de mestre na linguagem de todos nós. Passo por ele aceno com e ele sempre gentil, responde continuando seu trabalho. Deveria estar preparando sua aula.

Vou então em direção à outra sala neste final de corredor.
No carpete a luz permanece na amplitude do verão que se aproxima na réstia de sol que escorre pelo vitral que emoldura o corredor. Já avisto o sofá amarelo, os quadros de Picasso na parede, as fotos dela e do marido. Entro na sala e contemplo o arquivo dos sonhos e dos pequenos milagres que todos os dias ela pratica em sua profissão, além da escrita que também cultiva nas horas vagas.

A sala tem o cheiro do Brasil com as paredes em azul texturizado , e o teto rebaixado em gesso sorria com focos de luz anil. Na parede central um berimbau fez-me sentir em férias com um côco gelado à minha frente. Na estante, livros e cadernos enfileirados. Na mesa de canto, um porta- retrato com a foto das filhas.
Um jarro de flores no canto esquerdo que abraça junto à parede um pôster de Barcelona. Sinto saudade. Que pena, a Joice não está.

Saio e vou em direção a uma pequena escada metalizada de um fosco esverdeado que dá acesso ao segundo andar. A sala Degradê está aberta e já ouço o canto da minha calopsita.

Antes de entrar, em frente à minha sala há duas portas, trancadas. Uma é pintada de um verde fosco com maçaneta na cor champanhe e na entrada um tapete bege com motivos da natureza. Na porta há uma tabuleta em madeira trabalhada a mão com um emblema do Cristo Redentor e logo abaixo a inscrição: RAMOSFOREST. Luiz Ramos também não está.

E ao lado vejo uma obra de arte. Porta e parede formam um painel de fotos , algumas estampadas na própria pintura e outras pregadas no mural de cortiça. Coisas de Marcos Santos.
No batente superior uma inscrição : FOTO & GRAFIA





Dou meia volta, entro na sala Degradê, fecho a porta apostando mais um dia na amizade , esse sentimento que une as pessoas.
By Lu C.

domingo, 15 de novembro de 2009

* Areia movediiiiiiiiiiiiiiiiça!!!


Num dia muito frio desse nosso inverno, há "...trocentos" anos atrás,rsrs, uma mãe e seus quatro filhos , todos pequenos, passeavam para pegar um solzinho na rua principal da cidade.
Os dois maiores com suas bicicletinhas e ela, empurrando o pequeninho em seu carrinho, com uma delas encarapitada nele, junto com o bebê...
Era uma linda turminha, um mais medonho do que o outro...
Ela não descobria a quem haviam puxado,rsrs...
Bem tudo andava às mil maravilhas quando um deles, Gordinho,sai correndo com sua bicicleta e grita:
-Areeeeeeia movediiiiiiiiiiiiiça!!!!
Sabem o que era a dita areia movediça?
Um enorme monte de argamassa fresquinha, pronta para ser usada numa construção...
Nem preciso dizer como ele e sua bicicleta ficaram...Imaginem a cena!
A mãe, com o pequeno no carrinho, além de outros dois e essa aprontação , fazendo com que ela tivesse que ser rápida na ação pra que ele não virasse "estátua" de cimento ali mesmo...
E,com certeza, seria uma linda estátua de um menino levado...
Aproveito pra deixar aqui, o meu beijos especial e um abração para a querida Lu, pelo seu niver hoje...
FELICIDADES SEMPRE,LU!
beijos,chica