domingo, 29 de janeiro de 2012

Fábulas - O Carvalho e os Juncos

Um enorme carvalho, ao ser puxado do chão pela força de forte ventania, rio abaixo é levado pela correnteza.

 Arrastado pelas águas, ele cruza com alguns Juncos, e em tom de pranto exclama:
Gostaria de ser como vocês, que de tão delicados e esguios, não são de modo algum afetados por estes fortes ventos.

  E Eles responderam:

Você competiu e lutou com o vento, por isso mesmo foi destruído.
Nós ao contrário, nos curvamos, mesmo diante do mais leve sopro da brisa, e por esta razão permanecemos inteiros e a salvo.

  Autor: Esopo

  Moral da História:
Para vencer os mais fortes, não devemos usar a força, mas antes disso, inteligência e humildade.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Vergonha Nacional




Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother       Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas       conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do       que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras       adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.  
   
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve       seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo,       principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema       banalização do sexo e valores morais, com tamanho atentado à nossa modesta       inteligência.

Impossível assistir ver este programa ao lado dos       filhos. Gays, lésbicas, heteros... Todos na mesma casa, a casa dos       “heróis”, como são chamados por Pedro Bial.
Não tenho nada contra gays,       acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo       na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em       busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do       BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será       divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras       típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista,       documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a       Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa       desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve       maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à       pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que       esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da       ética e da dignidade do brasileiro.

Outro dia, durante o intervalo       de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que,       para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um       caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis.
~ Caminho árduo?      
~ Heróis?
~ São esses nossos exemplos de heróis?

~ Caminho       árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros,       profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os       professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores       incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com       dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.  
   
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de       comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a       isso todo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra       doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais       saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e       beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao       cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna       heroína Zilda Arns).

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um       salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para       alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás       pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa       cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos       intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer       outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à       criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e       moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol,       fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o       “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de       vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano".       Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB:       José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove       milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta       centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos       mil reais.

Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada       paredão ...
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa       quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia,       alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais       de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores)      

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e       indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em       vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana       ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema...., estudar... ,       ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um       amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... ,       namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a       ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os       quais foi construída nossa sociedade.

"Somos responsáveis por       aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de ser       feito."

 Por Luis Fernando Veríssimo
Cronista e Escritor brasileiro

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Estrelismos

Sem querer fazer apologias ou pré-julgamentos ( a sério mesmo), a gente vai achando coisinhas aqui, acolá... Vai lendo, vai remexendo e montando quebra-cabeças e tal e coisa. E no meio disso tudo tem sempre nossa opinião. Aquela dita pessoal, intransferível e única na maioria das vezes. Sem contar os maria vão com as outras que gostam de variar, dar passinhos pra trás e politicar a boa vizinhança.

Esse parágrafo aí em cima, ousado e meio esquelético por falta de alguns sais minerais do tipo “eu causo” - “eu sou” - “eu fiz” “eutcéteras”... Ilustra na totalidade minha indignação. Eu falo e (escrevo) sobre o mundo da blogosfera em geral. Há muita, mas muita gente boa que cria blogs inteligentes, que trazem pesquisas, furos jornalísticos de categoria e que acrescentam mesa farta na miséria letreira e palavrória de alguns energúmenos (até inteligentes), porém convencidos.

Mil perdões pelo paradoxo (talvez temporal), cruzando linhas de tempo/espaço onde cérebro e “metacérebro” se encontram na louca trajetória em parir histórias - até que bem inteligentes e criativas... Mas como sempre cheias de orgulho próprio.

Todo mérito e crédito aos criadores e costureiros de frases. Nada contra e muito pelo contrário. Ando aplaudindo e sorvendo palavras ultimamente. Almoçando parágrafos e jantando sopa de letras fantásticas que contam tantas histórias desse Brasil infinito em cultura e arte. Oh... Mas quem está interessado em arte? POUCOS!

Bom, mas até agora eu não discursei sobre estrelismos. Well, talvez nem precise, seria anarquia de minha parte. Contudo eu não posso deixar de percebê-los - (estão por aí).

Sorry! Mas... Que eles existem, lá existem; E COMO!

Eu gosto mesmo é da interação entre os blogueiros. Sinceridade na lata como disse certa vez um mago amigo meu (magoamigo). Mas tudo com certo limite, prudência, bom senso! E sabem que tenho encontrado?

 Good!

  Entretanto, estrelismos continuam a manchar páginas.

Mata borrão neles!

E pra não falar que nem pronunciei flores, resta-me apenas cantarolar, comer nectarinas e revolver a terra em busca de sementes que brilhem por si só. Posto que há muitas em meu convívio, graças a Deus!

São Paulo, primavera - 2011 By Lu Cavichioli

domingo, 8 de janeiro de 2012

Quem viveu viu... Quem viver verá!

Olá meu Quiosque, quiosqueiros e pasteleiros das letras, to de passagem por aqui pra ler, "bisoiar" e postar também rs... afinal faz um tempo que naum posto nada por aqui. Creio ser este espaço um lugarzinho "bacaninha"(dá licença Milene ), para essa blogada.

Dia desses cismei em rever o DVD - ELAS CANTAM ROBERTO CARLOS e... Ai, gente, como foi bom! Ouvir as canções românticas e perceber (hoje) de maneira adulta, a poética contida nas letras.
Tá difícil de se ouvir letras assim nestes tempos bárbaros e com rosto desgrenhado pela violência e outras rapsódias rap hip hop destrambelhadas que agitam essa galera xarope que anda por aí. Mas voltando ao que interessa - depois de ouvir cada mulher (belas e canoras), veio ELE - o CARA, cantar EMOÇÕES. Bom... aí foi demais pra mim... Eu viajei e fui parar lá na JOVEM GUARDA e de lá eu trouxe essa música que ilustra super bem o que eram os velhos e bons tempos.



Até os domingos eram mais felizes!
 Espero que apreciem
Aproveitem !:)




bacios

sábado, 7 de janeiro de 2012

A vida é um filme

Já repararam como a vida de cada ser humano é como uma produção cinematográfica? Mesmo que algum pai babão na sala de parto, todo paramentado com aquele deselegante roupão verde esterilizados, com uma câmera na mão procurando registrar a consentida cena sanguinária, por muitos decantada como o “vir à luz”, dando o seu primeiro (dos muitos) grito primal, há uma outra câmera oculta em algum misterioso lugar que tudo registra, que tudo grava.

Um diretor dirige a filmagem e certamente deve estar rodando pela enésima vez aquela mesma cena, mesmo que nos possa parecer “inédita e única”. Isso porque os atores não atingiram o ponto certo da interpretação; não deram tudo o que deles se esperava na exigente dramatização da cena. Então

“Ele, o diretor”, megafonicamente diz:

— “Corta! Vamos rodar outra vez. Não ficou bom”.

Você pode perguntar: “Mas e os ensaios? Já antes de todo esse início que parece igual pra todo mundo, não foram feitos? A resposta é uma pergunta:

“Você foi bem no ensaio?”

Não há tempo para chiliques de superstar. Tem que fazer certo. A filmagem tem que continuar; há um roteiro a ser seguido. Produzir uma vida custa caro. Aqui, tempo não é dinheiro. É existência.

O gênero da produção é um capítulo à parte. Pode ser ação, adrenalina pura; um suspense Hitchcockiano; a outro pode ser dito: “a vida desse cara é uma comédia”; drama ou dramalhões parece ser a preferência da maioria; terror que garanta muitos sustos tem público garantido; há os épicos que exigem superprodução e onde entram os efeitos especiais; filme “cabeça” ou também chamado de “artístico”, não rende fama nem público. Só alguns poucos entendem ou disfarçam que entendem.

Há um ponto em comum entre eles: ninguém quer saber se o mocinho morre no fim. E a esperança é que o final seja feliz.

O tempo de duração de cada produção depende de vários fatores. O principal é a moeda corrente aceita em qualquer parte: saúde.

O curioso nessa história toda é que há um fator que escapa à sincronia analógica: na ausência prematura do ator principal, não há reposição. O filme simplesmente acaba. E a coisa toda fica parecendo sem nexo.

Mas e todas as horas de “filmagem”? Não tem cortes?

Pois é, o que parecia ser a película pronta,é apenas horas e horas de rolos para ser editado. E a edição começa depois que acaba.

— Como é? Depois que acaba? Como assim?

A resposta a essa pergunta incomoda tanto quanto dormir na chuva.

Mas existe uma pista. Toda produção possui uma ficha técnica. E ela aparece em fundo preto após o término. E ali vemos quantas pessoas participaram direta e indiretamente de nossa filmagem por mais simples que ela possa ter sido.

E tudo se resume em um The End:



Tela preta, silêncio. Por um momento, tudo escuro.

Sobe a ficha técnica.

Os nomes e funções vão se sucedendo. Que pena. Todas as cenas foram ao vivo. Não foi possível regravar as eventuais incorreções. Se pudesse teria refeito várias cenas; reeditado minhas compreensões.

O sonoplasta me garantiu momentos de audição cristalina, mas muitas coisas não consegui ouvir claramente. Outras finji não ter escutado direito. O figurinista criou vestimentas para todas as ocasiões. O roteirista me deu rotas diversas das quais discordei. As falas me pregaram peças.

Quando deveria dizer não disse. Quando falei, melhor teria sido me calar.

E a trilha sonora então! É só ouvi-la e todas as cenas repassam perfeitamente em minha mente. Mente?

O coadjuvante muitas vezes roubou a cena e eu me achando o personagem principal fiquei ofuscado pela sua atuação.

Figurantes haviam vários. Aliás, sem exagêro, milhões.

Talvez o mais incrível é que só agora tomei conhecimento de quantos participaram na produção da minha história. Ilustres desconhecidos garantiram que inúmeras das minhas performances não passassem despercebidas. Outras tantas ninguém nunca ficou sabendo sequer da existência.

Existência?

Efeitos especiais não poderiam faltar. Em muitos momentos difíceis eles me salvaram a vida criando soluções que pareciam impossíveis. Até mesmo uma sobrevida.

Senti-me um super herói.

Por fim, (ou por início, não sei bem ao certo) devo dizer que qualquer semelhança com coisas, pessoas, histórias, dramas, situações, aventuras, mentiras, ou manipulações que seja, e ainda com mediocridade, esperteza, serviçabilidade, animalidade, inocência, luxúria, sabedoria, amor, etc., etc., etc., que tenha existido, terá sido (ou será) uma incidência profundamente questionável.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

É Natal





Ali jaz um caráter, um homem, uma pessoa.
Ali jaz um indivíduo só.
Só e abandonado como os perdigotos que escorrem de suas narinas.
Imperceptíveis e no entanto, repugnados.


Mas é Natal...
Natal dos que deixaram de ser
Natal dos que deixaram de ver
Natal dos que deixaram de crer
Natal dos que vivem para beber


Uma pena !


Mas Natal é isso...
Acima de tudo, reflexão.
Se não o fizemos ainda...
...quando o faremos?


Façamos agora?


Marcos Santos
Rio de Janeiro

foto marcos santos

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

MAyall




MAyall não fazia a mínima idéia da distância a ser vencida naquela que seria a sua mais árdua empreitada. Nunca havia passado por uma experiência tal difícil e profunda. O espaço aéreo, sua via natural tão conhecida desde algum tempo após seu nascimento, não mais lhe oferecia o aveludado infinito onde flanar alternava quedas com a liberdade de controlar sua ascensão; O estado de alerta intensificou freneticamente as batidas cardíacas. Coisa que suas auto-consideradas vítimas, ao pressentir sua presença, imaginavam muito bem. Porém as intenções de MAyall não eram outras — e nunca o foram — além de seu talento puro para a caça da única “presa” que julgava importante: o vácuo. Era tudo que MAyall precisava... mergulhar na liberdade do vácuo — ato esse inaceitável tido como a maior tolice já empreendida por quem possua asas para voar. Só que para MYall, suas asas voavam para além da imaginação.

Mas com uma asa apenas, isso ficou impossível. E justamente agora que falta tão pouco para o encontro mais esperado de sua vida. Lá no cimo, à sua espera, estão os seus iguais.
O tempo voava e ninguém passava por ali. A sede lhe dava a sensação de que o sol estivesse na sua garganta. Sabia que seus iguais esperariam até esticar o limite máximo de espera como se o tempo fosse de borracha.

A capacidade da visão turvou-se acelerada pelo suor liberado em cascata por sobre os olhos; a nuca, de base de apoio, passou a ser um peso maior que o pescoço pudesse suportar; a queda era iminente... questão de poucos minutos.

O manto da noite cumpriu fielmente seu dever; as estrelas iniciavam seu lúdico ofício de perfurar o negrume do céu com seu brilho cintilante; a brisa, essa inesperada visitante, velava os intervalos semi-longos da ofegação de MAyall. Um atabalhoado besouro Titanus, no descaso do ato, bateu-lhe a fronte cedendo-lhe graciosamente um quase nocaute técnico.

O bico não fechava mais. E a reserva de esforço, aplicava na sustentação do bico aberto para evitar que colassem... aí seria o fim.

Esmagado pelo medo, jogou-se ao solo de costas. Sua última ação inteligente, supôs. Assim fazendo, evitaria que antes do último alento, lhe fosse impedido de ter como imagem gravada, o cosmos inapelavelmente majestoso nas suas miríades propostas do infinito.

Não se auto-comiserou. Esquecendo-se, perdoou a si mesmo por tudo que fez a si próprio, morrendo primeiro a ilusão de que, o mal que aos outros fizera, foram na verdade ações internalizadas no seu âmbito. Descobriu que o reflexo mata reverberando aos poucos... e corta asas também.

Fechou os olhos mas não o olhar; o que lhe permitiu sentir o corpo elevar-se do solo. Num átimo, percebeu que tentar entender afasta o entendimento. Parou. Algo o movimentou rapidamente.

Uma voz suave o convida abrir os olhos.
Como se estivesse por detrás de um vidro embassado, os borrões semi-coloridos, se aproximavam vagarosamente.

Súbito, não havia mais solo; as estrelas borrifavam luminosidade que lhe refrescava a alma. Os iguais o seguravam alçando-o ao mais alto das alturas.

Sem a necessidade de qualquer expressão através das palavras, soltaram-no em pleno espaço onde não havia em cima e embaixo. Era tudo o que queria; era o seu mais ansiado presente tal qual uma criança anseia pelo mais desejado presente de Natal.

Flutuar na insubstância da liberdade trouxe de volta a asa que lhe faltava. E junto, a felicidade do amor dos iguais.