No Balcão do Quiosque

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

É Natal





Ali jaz um caráter, um homem, uma pessoa.
Ali jaz um indivíduo só.
Só e abandonado como os perdigotos que escorrem de suas narinas.
Imperceptíveis e no entanto, repugnados.


Mas é Natal...
Natal dos que deixaram de ser
Natal dos que deixaram de ver
Natal dos que deixaram de crer
Natal dos que vivem para beber


Uma pena !


Mas Natal é isso...
Acima de tudo, reflexão.
Se não o fizemos ainda...
...quando o faremos?


Façamos agora?


Marcos Santos
Rio de Janeiro

foto marcos santos

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

MAyall




MAyall não fazia a mínima idéia da distância a ser vencida naquela que seria a sua mais árdua empreitada. Nunca havia passado por uma experiência tal difícil e profunda. O espaço aéreo, sua via natural tão conhecida desde algum tempo após seu nascimento, não mais lhe oferecia o aveludado infinito onde flanar alternava quedas com a liberdade de controlar sua ascensão; O estado de alerta intensificou freneticamente as batidas cardíacas. Coisa que suas auto-consideradas vítimas, ao pressentir sua presença, imaginavam muito bem. Porém as intenções de MAyall não eram outras — e nunca o foram — além de seu talento puro para a caça da única “presa” que julgava importante: o vácuo. Era tudo que MAyall precisava... mergulhar na liberdade do vácuo — ato esse inaceitável tido como a maior tolice já empreendida por quem possua asas para voar. Só que para MYall, suas asas voavam para além da imaginação.

Mas com uma asa apenas, isso ficou impossível. E justamente agora que falta tão pouco para o encontro mais esperado de sua vida. Lá no cimo, à sua espera, estão os seus iguais.
O tempo voava e ninguém passava por ali. A sede lhe dava a sensação de que o sol estivesse na sua garganta. Sabia que seus iguais esperariam até esticar o limite máximo de espera como se o tempo fosse de borracha.

A capacidade da visão turvou-se acelerada pelo suor liberado em cascata por sobre os olhos; a nuca, de base de apoio, passou a ser um peso maior que o pescoço pudesse suportar; a queda era iminente... questão de poucos minutos.

O manto da noite cumpriu fielmente seu dever; as estrelas iniciavam seu lúdico ofício de perfurar o negrume do céu com seu brilho cintilante; a brisa, essa inesperada visitante, velava os intervalos semi-longos da ofegação de MAyall. Um atabalhoado besouro Titanus, no descaso do ato, bateu-lhe a fronte cedendo-lhe graciosamente um quase nocaute técnico.

O bico não fechava mais. E a reserva de esforço, aplicava na sustentação do bico aberto para evitar que colassem... aí seria o fim.

Esmagado pelo medo, jogou-se ao solo de costas. Sua última ação inteligente, supôs. Assim fazendo, evitaria que antes do último alento, lhe fosse impedido de ter como imagem gravada, o cosmos inapelavelmente majestoso nas suas miríades propostas do infinito.

Não se auto-comiserou. Esquecendo-se, perdoou a si mesmo por tudo que fez a si próprio, morrendo primeiro a ilusão de que, o mal que aos outros fizera, foram na verdade ações internalizadas no seu âmbito. Descobriu que o reflexo mata reverberando aos poucos... e corta asas também.

Fechou os olhos mas não o olhar; o que lhe permitiu sentir o corpo elevar-se do solo. Num átimo, percebeu que tentar entender afasta o entendimento. Parou. Algo o movimentou rapidamente.

Uma voz suave o convida abrir os olhos.
Como se estivesse por detrás de um vidro embassado, os borrões semi-coloridos, se aproximavam vagarosamente.

Súbito, não havia mais solo; as estrelas borrifavam luminosidade que lhe refrescava a alma. Os iguais o seguravam alçando-o ao mais alto das alturas.

Sem a necessidade de qualquer expressão através das palavras, soltaram-no em pleno espaço onde não havia em cima e embaixo. Era tudo o que queria; era o seu mais ansiado presente tal qual uma criança anseia pelo mais desejado presente de Natal.

Flutuar na insubstância da liberdade trouxe de volta a asa que lhe faltava. E junto, a felicidade do amor dos iguais.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Rivalidade

Meu amigo e cliente Rafael estava todo satisfeito. Com a camisa do Corinthians no encosto da cadeira, a toda hora virava-se e pegava a dita cuja, em seguida sacudia-a como uma bandeira desfraldada.


Banquei o besta, fingi que não havia entendido o objetivo da parvoísse e peguntei a ele:
- Ué?? virou a casaca??? Você não é mais flamenguista???
- Lógico que sou!! Isso aqui é para sacanear os vascaínos...


Tive que continuar bancando o besta:
- Deixa eu ver se entendi...Se o Felipe Massa ficar sacaneando o Fernando Alonso por este ter chegado em 4º lugar no campeonato, apesar de ele próprio ter terminado em 6º, você achará bacana?
- Seria ridículo Marcão. Respondeu ele.

-Então??? Perguntei.
-Então o que, Marcão?
- A camisa do Corinthians...Retruquei.
- Marcão, no futebol é assim. Vale a rivalidade...

- ??? Pensei.

Depois retruquei pela última vez:
- A sua rivalidade é ficar o tempo todo lembrando ao seu rival que você chegou depois dele??

Rafael fez cara de "ué", jogou a camisa do "Timão" no fundo da gaveta e ficou lá, sentado, parado, pensando na morte da bezerra...

Marcos Santos

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Astral

O céu estrelado
merece um olhar
é fonte de agrado
só querer, terá

Procure grandeza
maior não verá.
Um mar de beleza
que à vista se dá

Apalpe o mistério
do céu, do infinito.
Tente, falo sério
nada mais bonito

Um céu estrelado
é tudo de bom
concerto tocado
em sublime tom

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Relatividade

     O tempo escorre lentamente do relógio, em tiquetaques preguiçosos e vadios. É o velho demônio irritante, tirando do saco de minha vida, já meio murcho, uma moeda a cada tique e atirando-a no saco sem fundo da eternidade a cada taque. E ele faz isso sorrindo, sarcástico, para mim. Uma de menos... uma de menos... uma de menos... vai ele desfiando a ladainha dos segundos que se perdem sem resgate.
     Mas hoje, demônio velho, não cairei nesse truque psicológico barato. Não ligarei a TV, não lerei livros ou jornais, não telefonarei para ninguém. Porque sei que ela, a minha amada, está vindo.
     Desfia a tua ladainha, velho demônio, desfia-a mais rápido, que os segundos da espera não se contam como aqueles da tristeza. E quando minha amada estiver em meus braços, será minha vez de contar: uma a mais, uma a mais, uma a mais...
     Pois dela os beijos são vida, e os carinhos são eternidade, e seu amor não cabe neste ridículo universo onde espaço e tempo têm seus limites. Ela me levará nas asas da paixão e me guiará para onde não se contam moedas, onde não há sacos de diferentes tamanhos, onde os demônios contadores se encolhem envergonhados e perecem à míngua de relógios, onde tempo não é dinheiro e dinheiro não é mais que fumaça. E lá escarneceremos de ti, até o fim dos tempos.

sábado, 12 de novembro de 2011

AO BOB COM CARINHO...


Me acuda Bob Marley! Prenderam três moços fumando o cigarro da paz e uma multidão de outros moços armaram um furdunço revoltativo. Eles não querem a polícia por lá. Querem viver livres no campus da universidade sem a insensibilidade gritante dos homens fardados.

Mas Bob, aqui no Brasil é diferente da sua terra. Dizem que as folhinhas são do bem, mas lei é lei, né? Os moços não quiseram saber de papo e invadiram, entoaram gritos de guerra, cerraram os punhos... Ficaram lá acampados por dias e de vez em quando um deles surgia pra listar as exigências. Eu não compreendi porque alguns encobriram o rosto com um lenço, feito aqueles bandidos dos filmes de faroeste. Eram apenas estudantes inofensivos querendo fumar um baseadinho... Por que a fantasia?

Talvez tenha sido pela importância da causa, né? Penso que num país tão tranquilo feito o nosso, sem problema de espécie alguma, erguer a bandeira da maconha seja uma coisa bacaninha a se fazer. Ideologia, eu quero uma pra fumar!

Eu bem sei que se você pudesse falaria com todos eles e diria que a sua praia era a paz e o amor. Esse era o lema. E você lhes contaria sobre o passado desse país, num tempo em que os estudantes tinham mesmo pelo que protestar e lutar. Foram tempos difíceis aqueles, você lá na Jamaica deve ter ouvido falar... Mas esses moços, tadinhos, certamente não tem a menor ideia do que seja de fato repressão policial e tudo o que o valha.

                Você não deve ter tido muito apreço por essa classe, a dos moços de farda, eu suponho. Nem eu. Eles são truculentos até a décima potência, mas infelizmente no curso de formação da polícia militar não se dá muita ênfase às abordagens amorosas da polícia para com a população. O jeito é falar “não senhor, sim senhor” e pronto. Chamarei um clichê para me socorrer: ruim com eles, pior sem eles... Sabia que por aqui as pessoas se surpreendem quando um policial dá provas de honestidade? É, menino rasta! Aconteceu esses dias. Um deles recusou um agradinho de um milhão de reais para fingir não ter visto um bandidão e virou notícia de jornal. Amaste o Brasil como eu amo, Rei do Reggae?

                Mas voltando aos revoltosos com causa embaçada, eles quebraram tudo por lá, Bob. E ficaram chateados porque tinha praticamente um batalhão contra setenta inofensivos jovens filosóficos e literatos. O bacaninha é não ter havido nada de tão sério assim. Eles saíram tranquilamente da sala da reitoria, sede provisória do movimento (?) e foram gentilmente presos. Depois de pagarem uma fiança coletiva, foram todos pra suas casas abraçar papai e mamãe. Eu os imagino chegando em casa e as mamães em lágrimas acolhendo os filhotes, conferindo pra ver se não lhes arrancaram nenhum pedaço, enquanto os papais os observam um tanto sisudos. Umas palmadas no bumbum e um castigo do tipo “vai-ficar-uma-semana-sem-baseado” cairia bem.

                Se você descobrir quem vai pagar o estrago por lá, me avisa, tá?
                Agora vamos ouvir você... Essa sim é uma viagem prazerosa.



Por Milene Lima


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Versejo Insone

Não havendo como
conciliar o sono
nada a fazer, ponho-me
a monologar
nesse modo insólito
e que me é bem próprio
de no solilóquio
lesto, divagar

Voo de passarinho
pra longe do ninho
curtindo o caminho
livre pelo ar,
pilho-me sozinho
sinto-me mesquinho
minto-me um tantinho
só que vai passar!

Pleno adejo, vejo
gente, afã, desejo
um penhasco, um seixo
- vou-me estatelar!
só me lembro o beijo
de cair o queixo
queixo-me mas deixo
isso me levar

Pegando corrente
seja fria ou quente
voo indiferente
pra qualquer lugar
já fico contente
de pensar que, à frente
vou, possivelmente
a você chegar

domingo, 30 de outubro de 2011

Sou a parte menos conhecida de mim mesmo. As outras partes complementam o mistério do não saber o que sou (não “quem sou”).

Deram-me um nome após o nascimento. É a única coisa que sobrevive após a morte. No contexto de saber-se o que se é, muito atrapalha ser alguém. Pois acreditamos ser o que dizem que nós somos. Somos uma imagem pintada em uma tela social para agradar — ou desagradar, tanto faz— aos olhos de quem nos vê, inclusive nós mesmos. Desnudar o que está revestido por camadas de condições psico-sociais, é uma ação a nós, totalmente desconhecida. Não sabemos como fazer isso. Pois se o soubéssemos, não seríamos o que somos ou deixaríamos de sê-lo instantaneamente e aquilo que É real, num rompante do mais visceral silêncio, estilhaçaria nossa redoma de vidro na qual pretensiosamente chamamos de meu mundo, com a facilidade de um efeito especial cinematográfico revelando algo que, na verdade, nunca esteve preso, nunca nem ao menos chegou a ser algo.

Se não podemos expressar o que seja esse algo, esse silêncio tatuado na alma, ao menos a linguagem musical — tal qual um Claire de Lune — intenta evocá-lo no anestésica impulso de colher uma impressão relampejante de sua realidade.

É disso que estou de dizendo. Disso que não é.

Clair de Lune

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O Poeta dos Tijolos

Me desculpem os Amigos Quiosqueiros por postar duas seguidas, mas hoje o Cristo Redentor faz oitenta anos e eu não podia deixar de reeditar esse post que fiz no Boca Diurna em 07 de abril de 2008.


Meu avô Joaquim esteve aqui. Não como um turista português, em cruzeiro pelo  Brasil, mas como pedreiro e construtor de chaminés.

   Todos já devem ter visto espalhadas por todo o  mundo, chaminés de tijolos maciços, verdadeiras obras de arte, que erguem-se a  altitudes de tirar o fôlego...
Pois meu avô Joaquim era construtor de  chaminés.

   Algumas erguem-se em tamanha imponência e  graciosidade que são poupadas da demolição de uma fábrica fechada.  Eternizam-se  solitárias. Monumentos do testemunho da capacidade do homem.
   Meu avô Joaquim era praticamente analfabeto.  Ele era construtor de chaminés.

   Joaquim "Bigode" (O segundo a partir da esquerda), viveu e morreu simples e  pobre, mas não sem antes deixar de construir seu mais famoso monumento. O Cristo Redentor!


Meu avô Joaquim era pedreiro e praticamente analfabeto. Ele foi construtor de maravilhas.

Todos!  Absolutamente todos, temos alguma  importância para a história de nosso País.

Só depende de nós!!

Marcos Santos
Rio de Janeiro

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Zabelinha Onze-Horas

Meu amigo gosta muito das flores chamadas de "onze-horas". Outro dia ele me veio reclamando de um tipo de abelha que corta a parte inferior da flor, facilitando a acesso ao nectar.


- Veja só, essa abelha está estragando as flores. Ela fura na parte de baixo. As flores ficam feias.


Reconheço que não dei muita atenção ao assunto, pois eram apenas abelhas e flores. Nada mais natural. Mesmo assim peguei minha câmera e tirei algumas fotos das flores com suas respectivas abelhinhas.


O dia passou, eu esqueci do assunto...mas meu amigo não. 
Essa semana ele veio com ar de vitória, me informando que as abelhas não incomodariam mais suas "onze-horas" .


- O que você fez? Perguntei, imaginando que ele tivesse coberto as flores com alguma tela, ou véu...
- Taquei inseticida. Respondeu ele.


Na hora não acreditei no que tinha ouvido, pois meu amigo alimenta as sabiás soltas na natureza com uma penca de bananas todos os dias. Não é do tipo de pessoa que envenene abelhas. Mas ele fez....


Não sei se isso vale de consolo para as abelhas, mas na hora só pude argumentar para ele:


- Meu querido amigo, as plantas criam suas flores para as abelhas e para os outros insetos, não para você ou para mim. Essas "onze-horas" provavelmente querem atrair justamente esse tipo de abelha, que corta o fundo de sua flor, facilitando a queda do pólen no solo.


Ele não me deu muita atenção e só restou-me refletir sobre o assunto:
Definitivamente nós não somos desse planeta. Mesmo quando somos bons entre nós, para a natureza somos como a Medusa, cujo nosso simples olhar transforma tudo em pedra, em morte.


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Arthur x Escola

     No dia 4 de outubro de 2010, o Sete Ramos publicava ARTHUR x DANONE,  pedindo o apoio dos amigos na luta de uma criança de cinco anos contra uma multinacional famosa. Muitos amigos entraram decididos na arena e, em 21 de fevereiro de 2011 noticiávamos a vitória - ainda parcial - do Arthur.
     Mas a vida não dá tréguas, e a luta continua. Hoje, um ano já passado, o adversário - pasmem! - é a escola onde o menino estuda.
     Não vou cansar meus amigos com detalhes, mesmo porque sou suspeito para falar - o Arthur é meu sobrinho-neto. O vídeo da Record News fala por mim.




     E quem se interessar pelo assunto, encontrará mais detalhes em:


Arthur x Danone - O Sete Ramos e seus amigos entram na briga


Arthur 1 x Danone 0 - Arthur ganha o 1° round por pontos


     E o link para o "Blog" do Arthur e de sua mãe é:


Tudo bem ser diferente - Comentários da Consuelo sobre a reportagem


     Nota: este "post" foi publicado no "Sete Ramos de Oliveira" e está sendo replicado aqui, neste ninho de crônicas e poesias, por indicação expressa da LU CAVICHIOLI, a quem agradeço a generosa sugestão.


     Abraços a todos.
     Rodolfo Barcellos.

sábado, 1 de outubro de 2011

CABELO CHAPADINHO É TUDO IGUALZINHO


Passeando pelos caminhos desimportantes das redes sociais, me deparo no FacebooK com uma foto postada por meu sobrinho, onde posam ele e mais quatro adolescentes, sendo destes quatro meninas. Fixei meu olhar sobre o retrato e inquietei. Neste instante se abateu sobre mim uma dúvida cruel acerca do real caminho para o qual segue a humanidade. Deprimi.

As meninas, todas elas, exibiam um longo e moreno cabelo liso. Todos iguaizinhos. E fui tomada de uma subida vontade de exterminar todas as chapinhas sobre a face da terra. Quem sabe a partir desse ato extremo, o estilo pessoal mostre a cara. As meninas pareciam quadrigêmeas ou lindas japonesinhas...

Minha sobrinha Giovanna, também parte dessa espécie sui generis, os adolescentes, veio ralhar comigo depois de ler uma frase metida a engraçadinha dessa que vos escreve, comentando o tema desimportante também lá no Face. Ela disse: “Memem, mas elas gostam, acham bonito”... Eu respondi: “Acham bonito nada! Elas apenas seguem o padrão. E nesse momento usar a famigerada exterminadora de cachos é a onda”... Ela riu. Talvez não compreendendo minha inquietação por tamanha bobagem. Essa mocinha, inclusive, deu conta de eliminar os seus cachos tão lindos há algum tempo. Começou dizendo que era uma vezinha só e quando nos demos conta, lá estava a franja e o cabelão lambido exibido com imensa vaidade. Tudo bem...  Tudo bem... Há de se respeitar a vontade alheia. Embora dentro de mim o bichinho da repressão contra a maquininha maldita esteja aos urros.

Onde foi parar o estilo próprio? Que graça há em se ter a mesma cara da amiga, irmã, ou seja lá quem for? Bom, talvez tenha mesmo graça e eu é que estou aqui bancando a ranzinza... Devo rever meus conceitos, é o que parece. O importante é cada um estar de bem com a sua vida, sua roupa e o seu cabelo do jeito que bem o prouver.

Mas se por acaso alguém encontrar um cacheado por aí, aprisione-o imediatamente! Ao menos pelo tempo suficiente de se fazer uma clonagem, essa espécime em extinção deve estar a salvo...

Findo aqui essa reflexão que não mudará em coisíssima nenhuma o andar da carruagem onde até os cavalos tem a crina chapada.

Uns beijos.


Por Milene Lima

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Não somos o que desconhecemos ser em período integral.
Somos o suficiente para um momento fugaz.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A Mídia e os Mulambos




Lamento por meus amigos flamenguistas, mas que a torcida do Flamengo é cada vez maior, graças a propaganda maciça e excessiva que a mídia faz e empurra goela abaixo das pessoas, ninguém pode negar. Esta é uma teoria minha que está sempre sendo testada e comprovada. E a coisa é feita de maneira explícita.
Vou citar alguns exemplos:


 Aos sábados, o programa Global "Estrelas" da apresentadora Angélica começa cantando "Sou Flamengo e tenho uma nega chamada Teresa", da música "País Tropical" de Jorge Ben. Gosto dessa música, gosto do Jorge Ben, mas que essa música foi composta numa época em que o contexto era outro, em que as cifras envolvidos eram bem inferiores às multimilionárias de hoje...isso lá era.
Com essa simpatia irradiante, que criança não quer torcer para o Flamengo?

No domingo de manhã, dia do clássico Flamengo x Vasco, o programa Esporte Espetacular dedicou boa parte de seu tempo para encher a bola do Ronaldinho Gaúcho. Vamos combinar, mas o Tiago Neves carregou o dentuço nas costas durante meses e não houve esse tipo de apelo para ele. Também acho que o Gaúcho esteja jogando bem, mas não é isso tudo que querem vender para nós...mas como há muita grana envolvida nessa estadia dele por aqui, esse comportamento da mídia é compreensível...É deplorável, mas é compreensível.
Até aqui, as criancinhas querem ser tão lindas quanto o Ronaldinho. 


Durante o mesmo jogo Flamengo x Vasco, a torcida Rubro-Negra fez o coro "Uh, Vai morrer!" enquanto o treinador Ricardo Gomes lutava pela vida e era atendido por para-médicos depois de sofrer um derrame cerebral. Nesse momento a mídia, defendendo seus interesses em agigantar a torcida flamenguista, calou-se. Uma notinha aqui, outra acolá, geralmente em blogs, foi o que se pode ler sobre esse comportamento repugnante, marginal. Nesse caso, o Flamengo e sua torcida passaram incólumes, sem sofrem nenhum arranhão em sua imagem de "Sensacionais". Eu morreria de vergonha...aliás, estou morrendo de vergonha só de imaginar que esse tipo de gente está circulando na minha cidade, fazendo pose de bacana. Gente de princípios e moral extremamente duvidosos. 
Esses são os mulambos que eu conheço.
Disso...bem..., disso as criancinhas não ficaram sabendo.


Não acho que o Flamengo tenha algo a haver com esse comportamento, mas que ele, como entidade econômica, se beneficia da super-exposição positiva de sua torcida, não tenho dúvidas. Basta ver que a fatia recebida pelo mesmo Flamengo, pelos direitos de transmissão dos jogos, é bem maior do que de outros clubes do mesmo porte e com investimentos iguais ou maiores do que os dele.


Enfim, este é apenas um registro meu. Uma impressão que tenho dos fatos a minha volta. Gosto de futebol, mas preferia o futebol dos tempos em que qualquer jogo do América trazia mais de 60.000 pessoas ao Maracanã. Do tempo em que a divisão das informações não era feita na proporção das cifras milionárias. E notem que eram tempos de ditadura.


Marcos Santos


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

PEDIDO DE AJUDA LITERÁRIA...

A SALA DOS SONHOS DE JOICE WORM precisa de vossa ajuda no facebook. Faltam 3 dias para terminar o Concurso que estou a concorrer. É fácil, amigos:

É SÓ UM SEGUNDO E NAO CUSTA NADA!
NECESSITO QUE ENTREM NESTA PAGINA E CLIQUEM EM GOSTO:
https://www.facebook.com/B
ubokPortugal

E DEPOIS ENTREM NA PÁGINA ABAIXO DO LIVRO "SALA DOS SONHOS DE JOICE WORM" E CLIQUEM EM GOSTO. ISTO SE TRADUZ EM VOTO PARA MIM. VAMOS GANHAR!!!
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=199439273443741&set=a.199365066784495.61850.131728200214849&type=1

VAMOS GANHAR JUNTOS!!

sábado, 20 de agosto de 2011

Cyber Soul

À distância de um braço, de um dedo, ou de um olhar, tão próximo estamos de nossas superficialidades que mal nos damos conta de nosso abarrotado vazio interior. Quanto mais vemos, mais não queremos olhar; quanto mais estendemos nossas mãos, mais não queremos tocar; quanto mais andamos, mais não queremos chegar.

Aonde nos levará tudo isso? À algum lugar lá fora onde a verdade desfila como o modelo mais bem pago por nossa ignorância? Falamos desse incômodo intelectual como se estivéssemos nos referindo à insubstância dos elementos; falamos da alma como se fosse um teclado situado na bancada de nossa obscura razão: sento, logo digito.

Alma não é sensação digital mas por ser delével, toca-nos a consciência.
Meu mais potente processador racional, não processa suas inorgânicas sugestões que tão habilmente tentam inocular o oco dos pensamentos com a vacina do entendimento. Sem perceber, sou o anti-vírus da minha razão estranhamente desconhecida.

A realidade da vida está dentro do virtual. Um chip me programa para ser o aparente. Usuário de mim mesmo.

Bites percorrem meu sangue cibernético. Quanto mais me informo mais me deformo. A verdade é binária. Processo minhas idéias sem fazer idéia de que sou processado. Meu subconsciente está abarrotado de temporários; Preciso urgente de uma formatação. Minha sabedoria é feita de bugs sem margem de conserto.

Palavras ditas ditam o rumo traçado pelo significado. Disparam para além da significação alcançada, um novo significado semente.

Palavras são vasos; significado é o vazio do vaso. O vazio torna útil o vaso. Um vazo pode conter a plenitude de vários significados como se fossem um só. Serão os significados que escolhem as palavras que desejam preencher ou serão as palavras que determinam qual significado melhor preenchem suas medidas? Significados permanecem sem as palavras como vida após a morte?

Palavra é corpo; significado é alma. Quem cria uma palavra é também autor de seu significado?

Sento, logo digito.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sonho

Hoje, me sonhei vivendo
a vida que peço a Deus
dentro da rosa e dos ventos
eu, Sansão sem filisteus

No sonho eu não era mago,
sábio nem imperador
no sonho eu não era nada
do que acordado não sou

Não era, nem possuía
solares, iates, troféus
eu tão somente morria
de amor, entre os braços teus

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Expectativa de vida

Não são os 75 ou 80 anos como média calculada de existência que me faz pensar nisso como o produto final de uma conta fria e realista da cota de tempo inevitável. Em nossa bula de nascimento já está datado o prazo de validade. Mas, expectativa de vida entra e sai pelas narinas; por um ouvido e sai pelo outro; não mastigamos a existência, a engolimos apressadamente. Apressada mente que não descansa um só instante mas sorve em grandes goles a própria razão de existir deixando pelo caminho rastros que se apagam assim que a pressão do peso consciente, caminha como se existisse um caminhar. Estamos sempre na expectativa de que a vida não desapareça, não faça visita de médico a ponto de nem para um cafezinho ficar. Por quê? Agora, que a conversa estava boa, e já se vai? Ou é para ir mesmo e eu é que fico para trás; não sigo adiante, não mergulho no sumidouro do inexplicável.

É a minha ansiosa ou serena expectativa que afasta a vida para longe de mim; ou é a vida que faz vistas grossas como se eu não existisse? Passa por mim e me deixa falando sozinho, com meu gesto no vácuo estendendo-lhe a mão... E lá se vai, toda cheia de vida e eu aqui, com meus restos de consciência a ter-me como alguém na expectativa de que olhe para trás... uma olhadinha só e me dê um aceno, um “vem comigo”. E porque não vou?

Algo percebi: que a vida não olha direto nos olhos mas dá uma piscadela rápida e misteriosa como que aguardando, sem expectativas, que eu supere as minhas. Isso eu já fiz, há muito tempo. Só, que ainda não me dei conta.

domingo, 3 de julho de 2011

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O fim...
Será como a gota d´água
a secar impassível ao calor do sol?
Ausência de memórias?
Ou todas elas avalanche a disputar
cada palmo da bruxuleante consciência?
Sou boneco de corda que sonha
sonhar encontrar o criador dos sonhos
Apertar-lhe a mão para sentir se
tudo não passa de um sonho
Ainda que meu coração — esse relógio de pulso
comigo a cada impulsiva batida dos segundos —
seja forte diante dos ecos de tão montanhosa nostalgia,
far-me-á um simplório vapor a deslizar suavemente na dissipação
Sem medo, sem alegria
Se ao fechar meus olhos
Eles se mantiverem abertos
Exaltarei as bodas do silêncio
Com elas sentir-me-ei um corpo oco de existência
Mas pleno de vida atrevid

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Se eu soubesse o que é a vida
não escreveria poesias.
Se eu soubesse o que é poesia
passaria a vida tentando descrevê-la.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sobre Cordéis e Encantamentos


Até onde consigo supor, a novelinha água com açúcar da Rede Globo está realmente abocanhando súditos e plebeus no horário vespertino.
Tenho a impressão (talvez (in)sensata), de que a emissora tenha finalmente acertado a mão na mistura do bolo, posto que personagens e enredo fermentaram a massa, temperando sagas e seus coronéis, chicoteando lampiões na porfia do cangaço e suas ditas justiças entre céus e terras. Aditivado com maestria brasões e barões assinalados da realeza e suas majestades.

Já fui noveleira, e das boas! Mas hoje, fiquei mais seletiva e para me contentar a história tem que ser pra lá de boa, mesmo porque também sou uma contadora de histórias. Por isso mesmo que esse texto foi se desenhando em minha frente, manchando uma inocente folha de papel, que mastiga minhas palavras para que ao final a digestão se faça sem azias.

Se fosse eu a contadora desta historinha açucarada, faria tudo ao inverso, fazendo da princesinha sertaneja uma engolidora da nobreza com toda pompa e ambição possíveis. E não essa coisinha triste que joga pela janela, vestidos e coroas, medalhas e impérios que galopam garbosos no passo do príncipe consorte.

Eu mostraria sim, seu lado ambicioso e, sobretudo sua ganância e o desenrolar profano da nobreza sobre o povo (até que seria interessante).
De resto, vemos fábulas e realidades no caldeirão das paixões, com muita água pra passar debaixo da ponte.

E como toda cidadezinha esquecida no mapa há um padre, um prefeito, um delegado, um doidivanas qualquer somados a personagens folclóricos e hilários que fazem a diferença diante do público, onde a criatividade deve destacar-se com doses de inteligência e bom humor. E isso, creio, eles fizeram.

Não há mais o que comentar. Deixo a cargo de meus leitores e amigos e, quem sabe isto se torne um debate novelesco e noveleiro.

Abraços
Lu Cavichioli

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Meu comentário sobre a questão Vida após a morte que foi colocada por minha amiga Ana Guimarães.

"um conto de fadas para quem tem medo do escuro"
Stephen Hawking


Um paralelo interessante sobre essa questão encontramos na mitologia como apoio para reflexão sobre a lógica. Como aquela que afirmando que 4 elefantes sustentam o universo, alguém questionou: "mas, onde se encontram os elefantes?" O sustentáculo da racionalidade do homem contemporâneo é cartesiana mas, a passos largos, vem sendo trincada nos seus sedimentos postulados. O que se vê hoje _ e isso de certa forma velado_ é o embate entre evolucionistas e criacionistas. Os primeiros, calcados no Darwinismo, afirmam por A+ B, que a vida surgiu como que randômicamente.

Algo como uma descarga elétrica como fator ígneo, eletrificou um caldo de proteínas as quais foram se agregando e como um "Lego" aleatório, montaram toda essa complexa máquina que é a vida nas suas variadas manifestações.

Principalmente a manifestação do ser humano que hoje dotado de um intrincado sistema bio-psíquico, escarafuça como um aprendiz de feiticeiro, os meandros da energia nuclear sem saber o que fazer quando se vê diante de uma sequência de portas que se abrem a cada descoberta da física avançada, de que o átomo não possui apenas um núcleo mas sim desafiam os limites impostos pelos conceitos dialéticos de pequeno e grande. Já os criacionistas se referem a essa afirmação dos evolucionistas, como a teoria do relojoeiro maluco onde um relojoeiro jogaria aleatoriamente para o alto as inúmeras peças e ao cairem se juntam inteligentemente nos seus respectivos encaixes.

Os criacionistas afirmam que não é possível que não exista uma inteligência por detrás da criação; afirmação essa que traça perspectivas mais férteis para o entendimento da Vida como um continuum onde consciência corrobora realidades. Infelizmente em termos acadêmicos, a supremacia do sistema evolucionista, como uma "caça às bruxas" vem eliminando sistematicamente das bases do conhecimento humano, essa vertente que oxigena valorosas percepções da realidade. Tanto que eminentes catedráticos nas mais proeminentes universidades como Oxford, Yale, Princeton, Harvard, Stanford, etc, vem tendo suas vidas acadêmicas destruídas por essa perseguição que mais lembra um estigma que a humanidade cultiva: a Inquisição do pensamento livre, diferente, que tem como um termo raiz a palavra herege que significa originariamente alguém que ousou ultrapassar um status quo moribundo e decadente.

sábado, 7 de maio de 2011

Sem Verbos


     De onde?

     De um desafio antigo,

     De um soneto empacado,

     De um bate-papo amigo,

     De um coração namorado.

SONETO SEM VERBOS

Um soneto sem verbos - desafio
De um amigo mais da onça do que meu;
Uma quadra, talvez, só por desfastio...
Talvez não ... e um tchau do amigo teu.

Mas rendição nunca! que vergonha!
Nunca a derrota! A fuga, não!
Covarde! Temeroso! Vil pamonha!
A um poeta, tais epítetos ao chão!

Calíope! Euterpe! Clio! Erato!
Ágil Terpsícore! Musas belas!
Doadoras de luz, de aquarelas!

Socorro! Sus ao poeta, ao insensato,
Ao campeão vosso, ao vosso amor,
De um soneto sem verbos fazedor!

domingo, 1 de maio de 2011

Prontuário

Era um dia como outro qualquer. Não havia nuvens no céu. Passava das 13h. A rua estava silenciosa. Tudo foi muito rápido. Um choro forte invadiu todo o ambiente.

Causa mortis: nascimento parto normal.

Evolução do quadro geral: satisfatório. Desenvolvimento acima da média com aproveitamento nos aspectos de baixa importância tais como sonhar, ansiar e pressentimento pela existência de uma vida com V maiúsculo. Fator esse com forte indicativo de uma alta taxa de infecção no estado de consciência.

Evoluiu rapidamente quando em contato com conhecimento de origem supra acadêmica.

Total inapetência por modismos. Saciava a fome alimentando-se de originalidades.

Constantes dores no coração saudável. Causa: profunda nostalgia por algo perdido nas brumas do tempo.

Rara e desconhecida manifestação eruptiva na sensibilidade. Causa : reminiscência da verdade.

O quadro evoluiu quando a pré-memória evadiu-se das profundezas do sangue liberando uma forte tendência ao puro discernimento o que agravou ainda mais o quadro geral da expansão contida. O organismo agora pedia uma evolução espiralada sem limites.

Não reconhecia mais as mesmas pessoas de sempre. Todas parasitas de si próprias em avançado estado de decomposição moral racional.

O fim, por fim, aproximou-se célere. Processo terminal eminente.

Vida por falência múltipla dos órgãos de manipulação da alma como essência humana.

Sorriso de Monalisa no rosto lívido e purpurino.


Lá se foi mais uma morte. A última. Sem volta.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Abóbora e carruagem no galope do cavalo branco




Queiram ou não o casamento real está abalando os cordéis do mundo ocidental, envolvendo os próprios interesses conservando as tradições e todos aqueles protocolos (feudais), monótonos e tediosos que a realeza bordou nas páginas da história.

Há séculos que os contos de fadas fazem a diferença entre o mundo real e o fantástico. Quer dizer... Fantástico uma ova! Porque toda pompa, brilhos e paetês ostentam apenas os rótulos de um submundo grotesco e coroado, e sabe-se lá o que preenche os rótulos das garrafas de ouro cravejadas com esmeraldas que desfilam nas carruagens entre plebeus e seu sangue vermelho.

Ah, os títulos! Será mesmo que eles fazem com que gentes tornem-se pessoas e pessoas deixem de serem gentes?
Quem viver verá a união de mais um nobre (pessoa) com uma plebéia (gente). E quem poderá sustentar a credibilidade dessa duplinha jovem e promissora? E até quando a futura princesa irá vestir a roupa da personificação mágica e passear de carruagem até que os ponteiros certeiros a transformem em abóbora (selvagem)?! Que maldade!

Eu sinceramente não tenho nada contra no frigir dos ovos. Só sei que é mais uma história de vida entre duas pessoas que são gente. Onde o sangue é tingido de azul (a contragosto) dos mais velhos, onde os corpos de carne e osso passíveis de escorregadelas, poderão fraturar contratos e protocolos oriundos das gerações empoeiradas de uma realeza sombria e decadente.

Que se casem Willian e Kate!

Que os sinos repiquem na Abadia de Westminster e que Queen Elizabeth aponte o cetro real e que a benção recaia sobre as nobres cabeças inglesas. Porque no mundo verde amarelo nada vai mudar, justamente porque os tupiniquins, lá no fundo de toda sua sensibilidade latina sabem, ou pelo menos tentam contar seus contos de fadas (ou bruxas) já que a rampa da terra brasilis tem lá sua pompa.

Yes, nós temos banana!

By Lu Cavichioli

sábado, 23 de abril de 2011

O BANHEIRO VENERÁVEL



Final de sexta-feira santa se aproximando, todos ressacados de vinho e comilança típica, hora de se dar o merecido descanso, mas não sem antes atentar para o noticiário televisivo e internético, para se atualizar em relação ao assunto do momento.

Seria esse assunto algo referente ao horror de Realengo? Não, prezado leitor, isso é passado, a morte das crianças já não faz mais parte das manchetes, a comoção cessou. Seria algo pertinente aos destinos do país, do âmbito econômico ou político, capaz de ferver os noticiários e nos brindar com um auspicioso aceno? Enganou-se mais uma vez, caro amigo. Fala-se agora do o casamento do Príncipe William com a plebéia Kate, não há outro assunto em canto algum desse planeta.

O que faço eu com minha absoluta falta de intimidade para com temas reais? Estou numa cilada social, não terei assunto pra esses dias porque sobre realeza eu entendo bolhufas. Preciso de alguém culto, inteirado dessas questões de fundamental importância para o desenvolvimento da humanidade, a fim de me explicar porque cargas d’água, em pleno século XXI ainda se bajula tanto eventos assim. Quão insensível sou a ponto de não compreender que se trata do casamento do herdeiro do trono real inglês, oras, não é qualquer mortal. Não é? Mas como assim? Ele até lava banheiro, como sou desalmada em não me comover com tamanho feito!

A expectativa é da chegada de meio milhão de turistas em Londres, o que ocasionará um movimento financeiro de R$ 1.500.000,00, entre outras coisas com a venda de brindes como canecas, pratos, qualquer troço com a imagem dos nobres pombinhos. As ruas de capital inglesa estarão tomadas pela multidão enlouquecida, portando bandeirolas nas mãos e emoções descabidas em virtude de tão especial situação. Escrevo isso enquanto meu estômago revira e não é apenas em consequência da comilança à base de coco, é muito mais por me admirar do quanto o ser humano se orgulha de sua absoluta futilidade. É bem possível que em uma semana, tempo restante para acontecer o grande feito, se publique até a cor da calcinha a ser usada pela princesa quando de suas núpcias. Já é sabido, por exemplo, que o banheiro da suíte opulenta a ser ocupada por Kate na noite anterior ao casório terá uma privada “venerável” (oi?) feita no século XIX e uma TV à prova dágua. Ah, mas isso é deveras importante, todos devem saber da condição descontraída da realeza enquanto faz cocô na privada original... Veneravelmente original. E compartilhe comigo dessa informação imprescindível, caro amigo, não há Viagra na cerveja do moço real, mas um tal extrato herbácio. Agora sim, posso ir para o meu humilde leito plebeu, tranquila por saber que os problemas da humanidade estão consideravelmente diminuídos porque a futura princesa faz cocô e o príncipe não toma cerveja com Viagra... Ainda.

O mundo enlouqueceu de vez, Pai do Céu!

Melhor mesmo eu guardar a minha total falta de paciência para assuntos inúteis e ir pros braços de Morfeu... Moço compreensivo e acolhedor.

Boa e nobre semana a todos.


(Milene Lima
agreste das Alagoas.)


quinta-feira, 14 de abril de 2011

domingo, 10 de abril de 2011

Alô Alô Realengo

Hoje recebi um email de meu amigo de infância Renato. Ele lamentou a entrada de nosso bairro no mapa das tragédias mundiais. Foi lá que um "maluco sem causa" trucidou crianças inocentes a queima-roupa. Realengo.

De repente lá estava Fátima Bernardes, Ana Paula Padrão, Luiz Bacci...Toda mídia impressa , eletrônica, radiofônica...

Um dos bairros mais antigos da cidade (1814/1815), Realengo sempre existiu como uma espécie de zona invisível. Um bairro que não existe. Um limbo espacial onde o poder público, imprensa e as populações de outros bairros mais nobres faziam questão de imaginar sua inexistência. Conheço pessoas que omitem sua origem no bairro. São pessoas sem passado e de história incompleta.

Mas foi exatamente de lá, desse local muito real para nós, desse "borrão no mapa" para os outros, que uma tragédia de proporções mundiais arrebatou e ceifou a vida de crianças inocentes. E também foi a partir de lá que sua gente simples foi exposta ao mundo.

O lugar onde nasci e passei minha infância, jaz moribundo, ferido de morte. Surge para a vida aos olhos dos outros em seu momento mais trágico, em seu momento de dor e sofrimento.

Se a partir de agora as autoridades darão mais atenção àquela região eu não sei. Só sei que se o preço a ser pago por essa atenção é esse...por favor devolva-nos ao limbo. Devolva-nos nossas crianças.


Marcos Santos
Rio de Janeiro


Em tempo:  A frase "Alô Alô Realengo" da música "Aquele Abraço" de Gilberto Gil, não é uma saudação ao povo de Realengo. Na verdade é uma frase de provocação aos militares dos quartéis situados nos bairros próximos.

sábado, 9 de abril de 2011

Mas, Deus...eu só queria entender...

Querido Pai que está nos Céus e nos corações daqueles que O amam também,


Sabe, Deus, estamos todos estarrecidos!
Estamos perplexos diante do que aconteceu, e não menos entristecidos e sangrando de dor. Estamos de luto!!

Mas, Deus, eu só queria entender...
Disseste que "certas coisas, certas realidades, certos acontecimentos" só seriam revelados àqueles pequeninos e que os grandes seriam confundidos, não foi? Senhor, é justamente em nome dessa promessa que venho pedir-te hoje:
-Pai, por favor, não nos deixe mais confusos! Revela a teus pequeninos aquilo que afirmaste que entenderíamos. Por favor, Jesus, nos revele, a cada um de nós que se fizer pequenino como eu, a razão de tudo que moveu esse  rapaz a cometer essa barbárie...
Tenho tantas perguntas, Senhor!
Será que essas criaturinhas inocentes já estavam predestinadas a terem suas inocentes e tenras vidas ceifadas, antes mesmo que conhecessem as maldades e mazelas deste mundo?
Será que teriam "merecido" uma morte dessa natureza?
Será que seus pais não poderiam antever essa brutal fatalidade, orando incessantemente por seus filhos, para que nada de mal lhes acontecesse?
Será, ainda, que ...

Qual seria a razão para tudo isso, Deus? Sei, do fundo de meus conhecimentos de Ti, da tua misericórdia e bondade que O SENHOR NÃO ESTÁ FELIZ!!!
Estou com a minha alma em prantos, meu Deus!
Não conheci os pequeninos vitimados...mas Tu sabes: precisava? Conheces a natureza mais que universal do coração que me deste, e com o qual fui agraciada neste mundo!
Sei também que são "tempos bíblicos", como sói dizer por aí. Porém sei mais ainda que as pessoas AINDA NÃO DESCOBRIRAM ESSA VERDADE, ESTÃO DE BRINCADEIRA CONTIGO, MEU PAI!
O Teu amor pelos Homens é infinito, é eterno. Mas ele possui um preço...e, pensando bem, é o preço mais leve que eu já pude imaginar que Alguém cobrasse de nós, nesta terra!

Sabe, Deus...eu só queria entender...

Um rapaz chegar a cometer um ato desses, fechando a história de sua vida de maneira cruel, brutal e trágica, não poderia ter sido reversa essa mesma história? Não poderia tê-la fechado com "chave de ouro", ou pelo menos, bronze, marfim, pérola, prata...???...Sim, acredito que ele nunca obteve a ajuda que precisou, e estou certa que precisou muito de ajuda, segundo eu soube. Esse fato não quer, de modo algum, justificar atos como esse que ele veio a cometer, Senhor, claro que não é isso, mas pergunto-Te, Pai amado, se ele tivesse encontrado pelo menos alguém que "orasse" por ele, pedindo-Te encarecidamente que o protegesse e guardasse, será que as coisas não teriam, então, tomado "outros rumos"?
Ah, do muito que tenho vivido e experienciado Contigo, Deus, tenho absoluta certeza de que SIM!
Tenho visto vidas transformadas apenas e tão somente pelo Poder da Oração!

Mas, Pai...eu só queria entender...
Sabes que em minha reflexões (que conheces tão bem!) tenho me perguntado se essas crianças inocentes vítimas dessa insensatez e loucura de um ser "fundamentalista" que já não dizia coisa com coisa neste mundo, tenho me perguntado se a Tua misericórdia não terá poupado essas criaturinhas de sofrer os danos e as dores de uma morte tão horrível como essa!!! Já soube que, antes mesmo de o corpo padecer as agruras de um sofrimento assim, o Senhor  recolhe sua alma frágil em sua absoluta misericórdia e Amor!
Eu oro a todo instante que tenha sido assim.
E peço, ainda, meu Pai, que o Senhor conforte as vidas desses pais "órfãos de seus filhos amados"!!!

E, Deus...eu ainda queria entender...Se Te aprouver, revela essa verdade e outras mais profundas, a essa Tua pequena e minúscula filha,

perplexa,
estarrecida,
angustiada,
chorando,

Graça Lacerda


sexta-feira, 25 de março de 2011

A Dengue e o Jaleco


Em meio a uma quantidade enorme de mortes por dengue, um número assusta:  O da dengue não diagnosticada. Todos os dias vemos relatos de pessoas queixando-se de diagnóstico errado. Um doente com dengue está sempre correndo o risco de ter sua doença diagnosticada como virose, garganta inflamada, gripe...enfim. Mas nossos valorosos médicos tem algo mais importante com o que se preocupar.
Em 120 dias, entra em vigor na cidade de Belo Horizonte, a lei que proíbe o uso indiscriminado de jalecos fora do ambiente de trabalho. Os médicos estão pulando e contestando contra essa "polêmica" lei. Coloquei o "polêmica" entre aspas por entender, tanto quanto os médicos, tratar-se de uma lei desnecessária. Embora não seja pelo mesmo motivo dos "doutos".

Tenho um filho que passou boa parte de seu primeiro ano de vida dentro de uma UTI. Nesse período observei alguns dados interessantes a respeito do comportamento dos médicos (lamento amigos, se estou generalizando, pois minha experiência foi obtida através de amostragem in-loco). Deixem-me começar:

O estudante de medicina normalmente entra nessa carreira para seguir os passos do pai, ou da mãe, médicos realizados (com poucas exceções). Assim tem ocorrido ao longo do último século e entrando no século atual. Nesse período, uma parte fundamental do trabalho médico foi ficando para segundo plano. O ser humano.
De um modo geral, médicos não gostam de lidar com gente. Eles não tem paciência com os simples mortais. Essa impaciência pode ser facilmente relatada por tantas pessoas quantas forem pesquisadas. Todas, mas todas as pessoas que conheço tem alguma reclamação quanto ao descaso recebido de algum doutor.

Geralmente os jovens estudantes de medicina levam em consideração o status social que a carreira oferece.
Um dos maiores símbolos desse status, quase como um outdoor piscante, é o jaleco. Médicos adoram desfilar com suas camisolinhas bem branquinhas. 
Na hora do almoço gostam de andar em bandos, como pombos. Eu costumo dizer que pombos são ratos com asas, tamanha é a quantidade de doenças que transmitem. Esses jalecos, embora representem a nobreza empafiosa da profissão, carregam consigo toda a "acepcia" do asfalto e dos ralos, todo o pó que cai dos bandos voadores, diurnos como os pardais ou noturnos como os morcegos.
Mas convenhamos, quem está atrás de status social  nunca estará interessado na pereba do João Ninguém da Esquina. 
Imagine aquele estudante orgulhoso de suas relações sociais, tratando do bicho-de-pé infeccionado de um pobre coitado. Consegue imaginar? Nem eu. Se o fizerem tenham certeza que o fazem com nojo.
De repente se vier uma gatinha com o tornozelo torcido eles até se animem, desde que não complique demais.

Mas o importante na profissão de médico é ser chamado de doutor. Alguns até investem na profissão. Tornam-se mestres, doutores de mestres, PHD's... Mas normalmente esses cursos e especializações fazem parte de um pré-requisito para uma promoção na carreira, culminando com uma melhor aposentadoria, principalmente se for no setor público. Eu não vejo nada demais em querer melhorar de vida, mas o problema é que nesses casos, normalmente quem está do outro lado dessa linha, nas filas dos hospitais e postos de saúde, não entra nessa conta de chegada. Essas pessoas são a parte ruim da história. A parte azeda do bolo. Aquele cravo chato que habita sob a sola de nossos pés.

Pois é...e a dengue está matando por falta de paciência em prevenir o diagnóstico. Afinal, como já diz o nome, dengue vem de dengo. O paciente fica dengoso, manhoso. Se os médicos não tem saco para aturar pobre, imagine aturar pobre dengoso.

Mas deixa prá lá. Contanto que a classe médica continue desfilando seus lindos e resplandecentes jalecos por todos os cantos das cidades, a dengue é o que menos importa.

Porque eu considero a lei do jaleco desnecessária? Se eles fossem realmente Médicos, deixariam seus uniformes num lugar adequado e limpo. Uma boa maneira de proteger seus pacientes e a si próprios, independentemente de leis.

Marcos Santos
Rio de Janeiro

segunda-feira, 21 de março de 2011

Domingo Cinzento



Me dói cabeça, ombro joelho e pé, tal qual a música da Xuxa quando cantava só para baixinhos. É assim que acordo após um sábado que nem foi lá o mais belo dos poemas. Se é para ser comparado a algum tipo de texto, esteve bem mais para bula de remédio, carta de cobrança, coisas animadinhas assim.

De cara pouco sorridente, acompanho as notícias do domingo na TV, casal Obama feliz da vida lá na Cidade de Deus. Ainda bem que a comunidade foi pacificada, não ofereceu perigo algum ao Primeiro Homem. Me ocorreu uma ideia um tanto sinistra: não seria bacana a gravação de um episódio da série 24 Horas – do imortal Jack Bauer – numa dessas comunidades, tendo o Obama sequestrado pelos traficantes? E o Jack feito louco tentando descobrir onde o homem estaria malocado. Genial, não é não? O único problema seria a história se tornar real e o Brasil se lascar de vez colocando em perigo a vida do cara que manda prender e manda soltar mundo afora.

A Senhora Obama e as gurias pareciam estar se divertindo por demais também, embora ela tenha se assustado um tanto por não compreender os movimentos da capoeira e supor que o moleque ia se espatifar no chão.

Lembrei de uma matéria que vi ontem, sobre um encontro de Michelle Obama com estudantes num restaurante em Brasília, aonde a mesma foi ovacionada porque proferiu “bom dia”. As pessoinhas enlouqueceram com um simples gesto de educação. Cá com meus botões impacientes me perguntei se fosse a Dilma, presidente, lá na Casabranca dizendo “good morning, people” se haveria esse alvoroço todo. Mania estranha essa do povo latino em se considerar na obrigação de paparicar, lamber sapato apenas porque acha mais importante que o seu. No meu conceito é o complexo de inferioridade impregnado, impossível de ser exterminado mesmo com todo o sabão em pó existente no mundo.

O fato é que o casal Obama foi realmente simpático e não parecia estar ali de má vontade, como é notório em algumas personalidades quando obrigados a comparecerem a eventos do gênero. É também fato que a simpatia deles em nada refletirá nas pretensões políticas do Brasil no cenário mundial. A Presidente falou toda prosa sobre o desejo de estarmos no Conselho de Segurança da ONU e o Mister Obama sorriu e acenou, num sussurrante "I don't undertand". Será que ele acertou mais alguns contratos acerca da ocupação da Amazônia? Uma pesquisinha ali, uma planta patenteada acolá, e foi-se, o homem leva a floresta inteira a qualquer momento.

Ah, mas porque falei desse assunto, não sei. Nem de política eu gosto, desde que me roubaram a ideologia... O que me interessa a visita desse simpático Primeiro Homem?


Deixei-o discursando e fui ver –  na TV - o jogo do Botafogo, que me envergonhou profundamente. Perdeu de forma pouco honrosa, só pra coroar o meu dia sabor jiló.

Vejo ir embora esse domingo cinzento, castigando o pobre Zeca Baleiro que canta incansável pra mim há horas. Tenho medo dele ir embora e a Xuxa vir me fazer dançar a coreografia do Cabeça, Ombro, Joelho e Pé...

Socorro!


Por Milene Lima



quinta-feira, 10 de março de 2011

Uma pequena história de amor

Rosebel não sabia o que era o amor, apesar de ser o amor. De longe, seu pai a observava e contrito, assuntava:

“Minha bela Rosebel, tens o fulgor dos raios do sol e tua pureza preocupa desde os eternos macrocosmos até os átomos infinitesimais; a fonte por onde a vida jorra acalenta teu desejo que freme por criar mundos que bailem ao teu redor. Aquece tuas mãos suavemente no peito deste que vela por teus passos puros como de uma criança a pular por sobre as estrelas suspensas no vácuo do céu.”

Ao completar o seu primeiro eão, os olhos de Rosebel cintilavam ao divisar os campos além. Um forte anseio tal qual um espasmo cósmico, ondulava em reverberações no profundo do sem limites.

— O que deve haver além desses anéis que tanto apertam meu coração?

Não tão distante dali, a voz sem corpo, soou o cântico das diferenças. E na canção que se formou, um chamado voou como uma pomba alva até os olhos de Rosebel.

Ao sentir a ardência do poder crepitar nas câmaras acesas de seu coração, a jovem alma, pulou nos braços do abismo das formas. A cada etapa de queda livre, o vento da consciência burilava com o cinzel do desejo o desabrochar de insuspeitas realidades.

No canto escuro da sabedoria, espreitava Ideário.
Tão logo se tornou concêntrico os olhos de dentro com os olhos de fora, Rosebel quis o que seu desejo queria: criar. E criou, criou, criou... criou tanto que o mistério das formas cristalizou a emersão do exterior diante de seus olhos. No reflexo desse ato, o amor escondeu-se na aparência. E Rosebel viu que era bom, serviu-se do sabor da gratidão do dever cumprido e deitou-se pela primeira vez na sombra de sua criação.

Assim nasceu o início. E do início o ciúme pelo fim. Pois o fim ama sem complascência o início de cada finito.