No Balcão do Quiosque

sábado, 2 de outubro de 2010

Festa na véspera.....mais o ladrão chefe

Então é isso? Uma eleição cuja campanha começou antes da hora acabou antes que os votos sejam depositados na urna? A vencedora de véspera já estendeu a mão, magnânima, à oposição; seus dois maiores caciques começaram uma briga intestina; cargos são distribuídos entre os partidos da base e os assessores já preparam os planos e projetos. Fala-se do futuro como inexorável.

O quadro está amplamente favorável a Dilma Rousseff, mas é preciso ter respeito pelo processo eleitoral. Se pesquisa fosse voto, era bem mais simples e barato escolher o governante. Imagina o tempo e o dinheiro poupado se pesquisas, 30 dias antes do pleito, fossem suficientes para o processo de escolha?

A estrutura da Justiça Eleitoral, as urnas distribuídas num país continental, mesários trabalhando o dia inteiro, computadores contando votos; nada disso seria necessário. Mas como eleição é a democracia num momento supremo, respeitá-la é essencial.

Os que estão em vantagem, e os que estão em desvantagem, não podem considerar o processo terminado porque isso amputa a melhor parte da democracia, encerra prematuramente o precioso tempo do debate e das escolhas.

Dilma já sabe até o que fará depois de ser eleita, como disse na sexta-feira: "A gente desarma o palanque e estende a mão para quem for pessoa de boa vontade e quiser partilhar desse processo de transformação do Brasil."
Os jornalistas insistiram, ela ficou no mesmo tom: "Estendo a mão para quem quiser partilhar. Eu não sei se ele (Serra) quer. Você pergunta para ele, se ele quiser, perfeitamente."

Avisou que se alguém recusasse, não haveria problema: "Pode ficar sem estender a mão, como oposição numa boa que vai ter dinheiro." Já está até distribuindo o dinheiro público.

Feio, muito feio. Por mais animador que seja para Dilma os resultados da pesquisa — e deve ser difícil segurar a ansiedade — ela deveria pensar em algumas coisas antes.
Primeiro, que falta o principal para ela ganhar: o voto na urna. Segundo, que o eleitor muda de ideia na hora que quer, porque para isso é livre. Terceiro, que, novata em eleição, deve seu sucesso a fatores externos a ela: o presidente Lula, o momento econômico e a eficiência dos seus marqueteiros.

Aliás, o marketing de Dilma tem sido tão eficiente em aparar todas as arestas de sua personalidade que criou uma pessoa que nem ela deve conhecer.

O salto alto não é só dela, a bem da verdade. A síndrome das favas contadas se espalha por todo o seu entorno, cada vez mais desenvolto. Por isso já começaram a brigar os generais de cada uma das bandas: Antonio Palocci e José Dirceu.
Da última vez que brigaram, os dois caíram. A disputa dos partidos da base de apoio pelos cargos públicos, como se fossem os despojos da guerra já vencida, é um espetáculo que informa muito sobre valores, critérios e métodos do grupo.
A desenvoltura do já ganhou é tanta que até o presidente Lula, dono da escolha autocrática de Dilma, parece meio enciumado e reclamou que já falam dele no passado. E avisou: "Ainda tenho caneta para fazer muita miséria."

A declaração inteira é reveladora: "Tem gente que fica falando aqui como se eu já tivesse ido embora, mas ainda tenho quatro meses e alguns dias de governo. Alguns falam como se eu já tivesse ido. Tem gente que se mata para ser presidente por um dia e ainda tenho quatro meses e alguns dias. Ainda tenho a caneta para fazer muita miséria nesse país."(PALAVRAS AMEAÇADORAS, TIPICAS DE DITADORES). O sentimento é um perigo. O presidente Lula já está fazendo miséria. Atropelou o calendário eleitoral, zombou das multas na Justiça, pôs o governo que dirige para trabalhar pela sua candidata como se a máquina pública fosse um partido político.


Cada um faça sua própria avaliação dessa frase de um presidente:
(Não tem nehuma conotação nem de longe com patriotismo, com nacionalismo, com algo do tipo bem feitor, a sensação é de ódio, destruição, poder pra fazer o bem e o mal, de quem tem a chave da justiça em suas próprias mãos)

AINDA TENHO A CANETA PARA FAZER MUITA MISÉRIA NESSE PAÍS.

Por Miriam Leitão*

só de passagem e repassando a mensagem!
(Lu C.)

6 comentários:

Ângela Coelho disse...

E estamos na mão destes loucos e dos brasileiros bolsistas. Acordem e reajam!
Beijos.

LC disse...

Valeu Angela!

Será que esse povo acorda mesmo??
... Sei não!

beijão querida!

José disse...

A política tanto aqui coma aí, acaba por ser igual, é os politicos cada vez mais curruptos,
e o povo cada vez mais submsso.

Milene disse...

É uma arrogância absurda, de quem tem medo algum do jogo virar contra si. Tem horas que dá desânimo... Vou me exilar no... sei lá onde... Paraguai?

Beijos, cara mia.

Letícia Losekann Coelho disse...

Lú, ao menos conseguimos um segundo turno, né? Bem... Independente de quem ganhar o Lula tá fora a partir do ano que vem e isso já me deixa muito feliz pois não consigo suportar as declarações arrogantes dele.
Se Dilma ganhar e enfiar Lula no governo... Tudo vai "babar" daí quero só ver!
Beijos

R. R. Barcellos disse...

- Passado o primeiro, veio o segundo turno. E agora, definidos os resultados, é preciso lembrar duas coisas essenciais:
1 - A ilusão da vitória fácil no primeiro turno revelou-se uma falácia;
2 - A grande votação obtida por Serra no segundo turno não foi por apoio popular a ele; foi uma demonstração de repúdio a Dilma e tudo o que ela representa. Será que ela vai se lembrar disso? Duvido...
- Sob as cinzas da fogueira da opinião pública, ainda há brasas vivas, que podem irromper a qualquer momento. Ainda há esperanças.