No Balcão do Quiosque

sábado, 4 de julho de 2009

Dos sofismas e comportamentos neuropsicóticos



Eu perguntei uma vez: "estamos no caminho certo"?
Olhei dos lados, conglomerados de intrínsecas defesas pendiam sobre a mesa. Carrancuda expressão!
Eu logo quis sair correndo- pra onde? Só havia grades!?

As marcas de sangue em meu braço demonstravam que tinha ficado dias na solitária tentando espernear ou morrer, quem sabe?
Todos os raciocínios davam encontrões nas artimanhas feitas de tijolos... “macios” aqueles tijolos.

Eu gargalhava. De súbito punha-me de cócoras aninhando-me da escuridão dos anos.

Casa dos horrores malditos! Apenas um som gutural, sem muito volume em patéticas palavras entravam de fininho pela fechadura. Eu apenas soluçava.

Já nos últimos dias um cadeado subjugava minhas palavras , enquanto membros e sentimentos embotados numa argamassa involuntária de sôfregos suspiros, jaziam num metabólico estupor glacial.

Fatias de neurônios boiavam num coquetel psicotrópico na visão esquálida e suprema da revolta incontida. Eu tecia devagarinho minha viagem intra/utópica/uterina, na louca tentativa de expiar meus pecados tornando-me um ser neo-celular.

Possível passagem/trecho de um esquizofrênico.

Coleção:Boca no trombone

Por Lu Cavichioli

13 comentários:

Chica disse...

És genial,Lu! maravilha de crônica forte e profunda!beijos e um lindo fim de semana,chica

sueli schiavelli jabur disse...

lu, querida amiga, como sempre magistral, acredito que basta, bjs

neo-orkuteiro disse...

A personagem esquizofrênico é fascinante, Lu, com suas tantas sinestesias e seus delírios. Literatura é arte e como qualquer arte tem o belo por finalidade comum.
O que acabo de ler tem isso.
I tip my hat!

Ramosforest.Environment disse...

Uma visão incrível. Textos como o seu são necessários para melhor compreensão do indivíduo e da sociedade.
"Louco", todos somos um pouco.
Luiz Ramos

Lu Cavichioli disse...

Uma loucura esse texto, chica. Ele veio de uma forma inexplicável. Mas gosto dele, depois que vi esquizofrênicos de perto, nunca mais esqueci o tormento interior em que vivem

bjs minha linda.

Lu Cavichioli disse...

Oi Sueli, adorei tua visita?! Como disse à chica, esse texto é uma reflexão do que (poderia) se passar dentro dessas pessoas.

É muito triste.
Obrigada pela leitura, venha sempre.
ultrabeijos

Lu Cavichioli disse...

Oi João, é bem verdade isso sabe? A sensação ficou em mim desde então. Quero dizer, desde o dia em que visitei um hospital psiquiátrico (como estudante) pela primeira vez e vi entre delírios e pedidos desesperados (para que as tirassemos de lá)pq, era um hospital feminino; o quanto somos frágeis e como a doença mental - seja ela qual for, massacra uma alma.
Enfim, hoje as demências são tratadas de maneira mais consciente oferecendo ao paciente melhores condições.

Tiremos o chapéu então, para nossa amada literatura/arte.
ultrabeijos

Lu Cavichioli disse...

rsrsrs.... é Luiz de médico e de louco, todo mundo tem um pouco.

Valeu a leitura,e como sempre, seu comentário que só acrescenta.
Beijão

tita coelho disse...

Lú, adorei o "ser"delirante do conto! Muito bom, super bem construído. Diferente do que se le por aí!
Beijos menina

Rosemildo Sales Furtado disse...

Olá amiga! Passei para desejar-te uma ótima semana, como também, dizer-te que adorei o texto, é muito profundo e, apesar de não ter frequentado esse tipo de ambiente, acho ser muito triste e penoso.

Beijos,

Furtado.

Rosemari disse...



Seus olhos são como bola de cristal. Veem pessoas por dentro.

Parabéns amiga. Seu texto ficou dez.

beijos

Leandro soriano disse...

Esses impactos da realidade nos serve de pulsos reflexivos sobre a volátil condição de "equilíbrio" humano.

Madalena Barranco disse...

Lu, querida,

Você reina em palavras de encantamento e doçura, mas quando o assunto é realidade... A dona Fantasia que se cuide - rsrsrsr. Você instigou minha mente a querer descobrir mais.

Beijos