No Balcão do Quiosque

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Leia no Banheiro


Fiz uma pesquisa rápida no blog da Editora e sessenta e quatro pessoas responderam. É um número pequeno, levando-se em consideração a quantidade de leitores usuais do blog. Mas eu precisava de resultados da pesquisa para fazer este texto e pelo sim, pelo não, aí vai... 

Pegando esse gancho da pesquisa, faço aqui considerações gerais: Perguntei se as pessoas compravam livros de autores novos, como as pessoas costumavam comprar livros, se liam e-book, quanto investiam por mês e qual leitura preferiam.

Para minha surpresa, a maioria esmagadora respondeu que comprava livros de autores novos. Livrarias físicas, sites e portais literários empataram na compra por livros. A maioria das pessoas não lê e-book, grande parte investe mais de R$ 45,00 por mês em livros e uma pequena parcela dos entrevistados lê poesia, sendo que a maioria prefere os outros gêneros literários – entre eles livros técnicos.

Alguma novidade até aqui? Penso que não, pois boa parte das pessoas que conheço em papos sobre livros pensam dessa maneira. A diferença é que todos que conheço fazem a leitura de poesias...

Vendo o resultado dessa pesquisa rápida, creio que declararam gostar de poesia porque me conhecem e sabem que escrevo poesia. Será? Deve bater aquele constrangimento na hora que falo que escrevo poesia e pergunto se a pessoa lê algo. As respostas são sempre muito parecidas: “Leio, sim! Li mês passado um livro lindo da Clarice, vou ler semana que vem um do Mario Quintana.”

Umas das respostas mais sinceras que recebi sobre a pergunta que faço com frequência (Você lê poesia?), foi a da secretária de minha ginecologista. Ela perguntou o que era poesia... Assim na cara! Penso que quando a gente trabalha com educação não se espanta tanto com as perguntas, logo levei um livro meu de presente e ela comentou: “Ah, poesia é isso? Livro bom de ler no banheiro!” Emendei: “É mesmo!”, pois não existe nada melhor que ter leitura boa no banheiro. Quem nunca leu uma embalagem de pasta de dente? Ou o verso do shampoo por falta de leitura boa? 

Poesia é livro de banheiro, de bolsa, de cabeceira, de fila em banco, de sala de espera em médico. Por sinal, eu gostaria que as salas de espera dos médicos tivessem livros de poesias invés das revistas que nos ensinam em 100 passos a ser mais bonita ou sexy.

Sou leitora de poesias! Leio Hilda Hist, Álisson da Hora, Augusto dos Anjos, David Nobrega, Mario Quintana, Lú Cavichioli, Monica Saraiva, Camila Passatuto, Van Luchiari, Emily Dickinson, Cristiano Melo, Flávia Braun, Caroline Freitas, Florbela Espanca, Andrea Lucia Barros, Drummond e mais uma montanha de vivos e mortos, sejam eles em blogs que tenho prazer em seguir ou em livros adquiridos e que estão presentes no meu dia a dia, me presenteando com poesia de ótima qualidade!

A pesquisa mostrou, por enquanto, que poesia é lida por poucos. Talvez a poesia tenha-se reduzido à pressa, aos cento e quarenta caracteres ou mesmo a dois ou três poetas já finados.
Alguns devem achar difícil de entender... Quem sabe, por não saber que poesia carece de explicação ou entendimento. Não precisa ser doutor ou mesmo professor para ler, pode ser
entretenimento e – por quê não? –, leitura de sala de espera e de banheiro.

* Crônica escrita na revista cultural - 8 

11 comentários:

Leonel disse...

Letícia, eu nunca li tanta poesia como nos blogs que tenho frquentado, depois que entrei na blogsfera. Anteriormente, só poucos textos isolados de alguns monstros sagrados: Manuel Bandeira, Fernando Pessoa...
Eu gosto mais de livros de ficção-científica, ou sobre expedições e fatos históricos.
Recentemente, li o meu primeiro e-book, ROTA 66, de Caco Barcellos. De vez em quando, estou lendo trechos de CIDADES MORTAS, de Monteiro Lobato, também adquirido no formato eletrônico.
Mas, dizer que poesia é bom para ler no banheiro é meio forte...
Abraços!

Dulce disse...

Leticia

Acho que vou discordar, viu? Poesia para mim é leitura para a alma, leitura de sentimentos, de anseios, sonhos, queixumes, enfim, é leitura que prefiro fazer em recolhimento, um momento mágico, que nem caberia num banheiro... E concordo com você quando diz que as salas de espera deveriam ter livros (de poesia ou prosa) ao invés daquelas revistas todas. Claro que nem todos os leriam, mas certamente alguns haveriam de descobrir ali o prazer da leitura, a ternura de uma poesia, todo um mundo que se refugia nas páginas dos livros...
Penso que é por esse motivo que algumas pessoas costumam deixar livros sobre os bancos do metrô, como se os tivessem esquecido... creio que é uma anônima tentativa de despertar em alguém o prazer da leitura, o amor aos livros.
Um abraço

R. R. Barcellos disse...

- Gosto de ler poesia e de fazer poesia, mas sempre como amador, nunca como "profissional". Não gosto de "Livros de Poesias" tipo J G de Araujo Jorge, Espumas, etc.
- Dos grandes clássicos, já li A Divina Comédia, Os Lusíadas e a Odisséia, e alguns excertos.
- Tirando os clássicos, acho que gosto mais quando a poesia está vinculada a um contexto próprio - seja um texto em prosa, uma homenagem, uma situação histórica, um movimento social... algo assim.
- Abraços.

regiane.alencar disse...

No meu banheiro tem revistas em quadrinhos e livros q leio (e gosto), mesmo. O banheiro é um lugar ótimo para ler e ler bem.
Leio muitos e-books, na falta de dinheiro ou na pressa de querer ler um livro e ainda não ter ou não poder comprar. Mas mesmo lendo o e-book, se gosto do livro, quero o meu exemplar físico, tb.

Alisson da Hora disse...

Paul Celan, Jacques Roubaud, Georg Trakl, Emily Dickinson, entre outros são companhias indispensáveis. Inclusive no banheiro... Ou em algumas épocas, principalmente. Algumas pessoas acham que a leitura da poesia deve-se restringir a um ritual de ensimesmamento, ou um compartilhar bem fake, de saraus. Ou um exercício intelectual acompanhado por um vinho, por um café, um cigarro. Poesia é pra toda hora, a reflexão não é algo com hora marcada, com lugar específico.

Lu Cavichioli disse...

Oi Tita, olha só, conheço muita gente que não gosta e nem tão pouco entende poesia. E já tive desilusões quando publiquei minha coletêna poética. Entretanto, a poesia está viva naqueles que gostam e não há como fugir disso.
Agora dizer que poesia é leitura de bannheiro, vejo aí dois momentos:
1) desdém com o gênero, coisa de gente que esqueceu a sensibilidade humana ou nem saiba o que isso significa.

2)para sempre e para todas as horas, por exemplo no banheiro,pq não? Eu mesma lá levei pro banheiro o Pessoa, o Drummond, o Vinícius, eu mesma e toda sorte de boa leitura.

Blogada fantástica esta amiga!
Abordou um assunto pra mais de metro rsrs...
bjs querida!

Nicolau Ponte Preta disse...

A um enorme pré-conceito em relação a poesia infelizmente, que está relacionado diretamente a falta de conhecimento, não gostar de livros de poesia é porque não leu nenhum significativo, poesia tem de todo o tipo, sobre anjinhos bonitinhos politicamente correto , as marginais, transgressoras e as filosoficas, questionadores e por aí vai, serei cruel , mas é falta de de conhecer de ter propriedade para discutir. poesia amigos e amigas é alimento da alma, faz deste mundo algo mais suportável,admito que é um monte de aspirações e idealizações mas é o que faz olhar pra vida com mais sensibilidade, nos permite sonhar e acreditar sem ingenuidades que não só de dureza se vive a vida! Até!

KINHA disse...

Olá Leticia

Venha participar do SORTEIO das JOIAS.....estou esperando por vc aqui no bloguito...

Bjooooooooooooo.............

http://amigadamoda.blogspot.com

José Sousa disse...

Penso que é a primeira vez que venho até seu espaço. O que li, aqui, gostei e vou ser seu seguidor. Seja meu também em:

www.congulolundo.blogspot.com
www.minhalmaempoemas.blogspot.com
www.queriaserselvagem.blogspot.com

Um abração e tudo de bom.

João Esteves disse...

Muito boa essa de poesia no banheiro. Já li de tudo no banheiro, até textos sagrados. Poesia também, além dos indefectéveis jornais e revistas, desde que de minha escolha, claro. Sempre li bastante desde quando me alfabetizei há quase meio século, mas não sou de ler indiscriminadamente. Primeiro o que preciso, depois o que gosto.
Bela blogada, Letícia.

Letícia Losekann Coelho disse...

Pessoas,
Penso que a poesia precisa ser tirada da "bolha" da magia... A tal da prma rica da literatura que anda afastando leitores.
Obrigada pelo comentário no meu texto ;) Abraços