No Balcão do Quiosque

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Tem polêmica no Quiosque




POR QUE COMPRAR UM LIVRO DE POESIAS?

Geralmente poemas nos fazem sonhar, mas será que as pessoas estão interessadas em sonhar nos tempos de hoje? Deixo a resposta vagando no ar... Mesmo porque eu seria suspeita para responder.

Estive na bienal do livro em agosto do ano passado como AUTORA de meu primeiro livro e pude acompanhar de perto vários autores que comigo dividiam o espaço no stand da editora . Ali tínhamos de tudo: livros que falavam de filosofias de vida, marketing, crônicas, poesia , contos, auto – ajuda e outros. Tinha até poesia ecológica, literalmente verde esperança em gritos de alerta. É, pessoal! Como o ser humano anda carente em toda sua agressividade – vergonha nacional vista em todo país. É só ouvir o noticiário na Tv, ou abrir meio sonolento o jornal na hora do café da manhã e constatar a face da violência estampada a sangue te olhando de frente. E é nesta carência gritante que percebi como a poesia atinge poucos corações, ( se é que atinge). Que pena!!!!!!! Vocês devem estar se perguntando se fiquei frustrada? E eu respondo que SIM!

Dividia a mesa comigo neste momento um autor que escreveu seu primeiro livro , assim como eu, só que com uma enorme diferença: EU APRESENTAVA POESIA – ELE, AUTO AJUDA. Preciso dizer quem vendeu mais? Todos os livros de poesia, marketing, contos e crônicas eram apenas manuseados, folheados a esmo. Desculpem meu desabafo, mas auto ajuda funciona? Para a maioria, já sei, já sei gente!! FUNCIONA né ?
Questão de gosto, ou crença.

Sou uma autora contemporânea. Amo poetar. Escrever contos e versar temas em crônicas, algumas bem humoradas, outras nem tanto. Mas há gosto pra tudo.
Volto a falar da carência que deixei sozinha lá em cima, lembram? Pois é... o homem pós moderno precisa de algo que explique sua própria existência(tão conturbada). Por isso os discípulos de Paulo Coelho(literatura esotérica de auto-ajuda – vide wikipedia) e afins ganham fama e dinheiro.

Esse texto é uma crítica? SIM! Afinal escritores são alvos de críticas.
Descanso neste momento no livre arbítrio da impotente/imponente(que loucura!?) ousadia de ir e vir, falar e calar.

Por Lu Cavichioli

BOM FINAL DE SEMANA A TODOS.

12 comentários:

bocadiurna disse...

Aliás, essa é uma boa polêmica. Mas nos dias em que a secretaria de educação de São Paulo libera livros impróprios para crianças, ou mesmo atlas com excesso de Paraguais e falta de Equadores...nem sei. Parece que quanto mais evoluímos, menos sabemos.

Ramosforest.Environment disse...

Não creio que a explicação do sucesso de determinados autores esteja no tema dos seus livros, mas sim em interesses comerciais. Nem sempre o mais competente ou de melhor qualidade é o mais valorizado.
O valor da obra vem, em geral, do interesse comercial (produtores culturais, comerciais e interesses de grupos).
O tempo, algumas vezes, faz justiça aos bons; outras vezes os bons são esquecidos para sempre.
Será que estou sendo pessimista?

JOICE WORM disse...

Eu acho que todo escritor tem o seu valor e o seu públco. É possível que por vezes estejam apenas deslocados.
A meu ver a procura de livros de auto ajuda, já é por si só o medicamento do momento. No fundo, as pessoas que recorrem a este tipo de literatura não vê o autor. Vê a mensagem. E se necessita, compra.
Quanto à poesia, o leitor não se importa de receber grátis ou de ler no ciber espaço, mas por alguma razão, se importa em comprar. Talvez não consiga dar valor comercial aos novos autores, porque este ainda não é falado nem comentado. E por isso o livro fica na estante. Não por não gostar, mas completanto, também por as vezes não entender o que o autor de poesias está querendo dizer. E quando não há comunicação, não há diálogo.
Acho que o escritor e o leitor são duas peças únicas na comunicação literária. Se um não compreende o outro, não pode existir relação.
Assim, penso eu...
Há um livro de poesia que minha filha tem, acho que se chama DUENDE que em uma das páginas tem uma poesia com uma única frase, por exemplo:
EU TE AMO
Pronto. Fim. Ali está escrito em uma página totalmente branca... E bem no meio: EU TE AMO
... Essa era a comunicação, era a poesia e todo mundo entende e fica a olhar para as letras e sentí-la.
Todo mundo diz isso de vez em quando. Sente de vez em quando. Mas raramente vê escrito em uma página de livro de poesia.
O homem (escritor), escreveu a frase na sua máquina, editou junto com outros tantos poemas e fez sucesso. Fazer o que?
Dá idéia de que o ser humano é cheio de necessidades e quando se depara com um copo de água, mesmo que esteja pela metade, mas lhe parece cristalino... bebe.
Um beijo, Lu.

Lu Cavichioli disse...

Taí Marcos, acho que séculos de existência não tem ajudado o Homem. Ou quem sabe, a humanidade pulou essa parte?!

Abraços

Lu Cavichioli disse...

Mas é isso mesmo Luiz. A corrida do ouro motiva e extrapola os interesses.

abração!

Lu Cavichioli disse...

Joice, tua explanação é perfeita.
Já li sua postagem no Pequeno Milagre.

ultrabeijos

Paula Raposo disse...

Obrigada Lu, pelo convite para vir até aqui ao quiosque. Gostei muito. Beijos.

Lu Cavichioli disse...

Que bom Paula! Venha sempre.
ultrabeijos.

Rosemari disse...

Lu na minha opinião as pessoas não compram livros de poesia porque els ainda não são prioridade. Muita gente ainda não adquire os livros básicos de estudo por falta de condição financeira. Infelismente a poesiapode esperar.
Aquela velha pergunta:As pessoas não lêem porque os livros são caros ou os livros são caros porque as pessoas não os compram??

neo-orkuteiro disse...

Lu, invoco o velho romântico espanhol Gustavo Adolfo Bécquer para dizer algo que talvez responda a contento sua indagação de século XXI. Que ele mesmo fale, então:

" Mientras hubier un misterio para el hombre
- Habrá poesía
Mientras hubier una mujer hermosa
- Habrá poesía "

Observe neste excerto que sua atual preocupação com os destinos da arte poética já era plausível em pleno romantismo espanhol, coisa de século XIX, e mesmo antes de Bécquer. Ele dá argumentos muito convincentes pela sobrevivência da inspiração ao apontar os mistérios para o homem e a formosura das mulheres (e francamente, é de se esperar que uma ou outra coisa ainda acabe?) como duas possíveis fontes de inspiração até prova em contrário inesgotáveis, e com isso leva-nos a concluir que se assim for mesmo, a poesia não tem o que temer.
Um bom ponto a ponderar.
O mercado atual de bens culturais vem sofrendo muitos golpes. O desrespeito aos direitos de autor na mafiosa invasão de edições piratas de trabalhos principalmente fonográficos foi um duro golpe para o pessoal que produz música, não importa de que qualidade. Todos os autores e intpérpretes (e demais profissionais envolvidos direta ou indiretamente) com isto sofreram seus prejuízos.
Não foi o que aconteceu com o produto livro. Mas com certeza estamos presenciando tempos bem difíceis atualmente.
É bom lembrar que Monteiro Lobato não seria um nome tão consagrado hoje se em seu tempo ele mesmo não despendesse todos os seus esforços e recursos na divulgação de Urupês, livro polêmico mas inegavelmente bem escrito cuja distribuição em escala nacional foi feita pelo prórpio autor e redundou no estrondoso sucesso que confortavelmente sabemos agora. Nos tempos dele o número proporcional de analfabetos no país era incomparavelmente maior e o de livrarias era incomparavelmente menor.
Digo isto porque mesmo sem ter tido a oportunidade de ler pessoalmente acredito que seu livro não esteja necessariamente condenado ao esquecimento como talvez tantos, dentre os quais certamente alguns muito bons.
Beijos.

Lu Cavichioli disse...

Rose, essa questão é meramente social e vc tem razão em colocar, mas não podemos consertar o mundo (infelizmente).
Isto foi apenas uma boca no trombone, não pude evitar, rsrsrs.
bj

Lu Cavichioli disse...

Querido João, seu comentário é uma aula de literatura, e eu fiquei tão perplexa quanto a beleza da sua cultura.

O Quiosque do Pastel logo vai servir caviar, tal o nível e a qualidade das postagens e comentários.

Valeu João, você é demais!
bjs