No Balcão do Quiosque

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

11 de setembro





11 de setembro
( por Rosemari)

Naquela manhã acordou reflexiva. Fitou o espelho e aventurou - se em uma exploração facial. Descobriu uma fisionomia diferente, um semblante que a motivava a enfrentar o dia de céu azul e ensolarado.
Uma aventura especular, leve sorriso nos lábios, ao mesmo tempo em que ganhavam um colorido vermelho carmim. Acor do batom que escolhera caia muito bem com o vestido que usava, onde o decote emoldurava seu belo colo.
Embora pensativa, estava radiante diante das novas possibilidades que figuravam no cenário de sua vida. Mudanças rápidas e positivas estavam prestes a ocorrer que a deixavam segura e esperançosa.
Agenda lotada. Era preciso se apressar. Rompe seus pensamentos e deixa de lado sua aventura matinal. Apressadamente pega as chaves do carro e dirigi-se para a garagem. Na porta do elevador encontra um homem muito elegante, que a cumprimenta de uma forma sutilmente sedutora. Seu dia fica ainda melhor.
O dia ainda promete grandes surpresas. A primeira delas chega ao exato segundo em que liga o rádio, sintonizando a principal manchete. A notícia ressoa estrondosa. Acelera. É preciso saber urgente o que de fato está acontecendo. Ao chegar ao escritório, assiste pela televisão aquelas imagens horríveis que ficarão impregnadas em sua mente e no seu coração.
O Word Trade Center incendiava.
O fogo também queimava seus sonhos. As chamas carbonizavam corpos e consumavam esperanças, ideais e projetos de vida.
Faltavam apenas dez dias para seu embarque. Na agenda, o dia 11 de setembro estava relacionado a passagens, vôo para os EUA, reserva de hotel e a pauta para uma reunião com os executivos do 56º andar, em uma das torres gêmeas.
Estava tudo acertado para seu ingresso na empresa americana que a levaria a realizar seu projeto na área profissional e que há muito tempo estava sendo desenvolvido.
As labaredas envadiram sua alma, colocaram fim aos seus sonhos.
Passado e presente se misturavam àquelas chamas de fogo projetadas na tela do televisor.
As lembranças de sua última viagem à New York, onde fez o primeiro contato havia sido paradisíaca. Além de expor seu projeto, pode andar por aquelas ruas maravilhosas imaginando como seria viver fora de seu país, ao mesmo tempo em que concretizaria o sonho de brilhar profissionalmente.
Tudo estava consumado. Mais uma vez a vida lhe trouxe a realidade da dor.
Hoje, no lugar das torres gêmeas existe uma clareira. No seu coração, ainda existe esperança.

2º lugar XXIII concurso de Contos e Crônicas _ Ponto de Vista Literatura.

4 comentários:

Chica disse...

Um texto maravilhosamente bem escrito, falando de como nossos sonhos podem ruir, de repente, assim como os dela, ruiram com as torres.

Uma tragédia que marcou a vida dela e tirou a de muitos.

Para ela, ainda resta a esperança...beijos,chica

Lu Cavichioli disse...

Rose, parabéns pelo texto muito bem construído. De narrativa instigante você delineou muito bem a história e levou-me num fôlego só, a ler o final. Embora a tragédia seja conhecida, vc urdiu uma situação super interessante quando ressalta o fim de um sonho, a decepção da profissional em questão e as vidas ceifadas , juntamente com sua carreira, soterrada sob os escombros.

Excelente prosa. Deu gosto em ler.

super beijo!

Ramosforest.Environment disse...

A esperança é tudo.
Parabéns pelo texto e pela classificação.
Luiz Ramos

Rosemari disse...

Obrigada aos amigos que leram e que comentaram o texto. Foi muito bom ter escrito pois as consequências de tragédias como a de 11 de Setembro atingem milhares de quilómetros distantes do espaço físico em que elas acontecem.Só não restou esperança para os que se foram.