No Balcão do Quiosque

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Demolição Implacável



Ao entrar na casa, onde tantas recordações me fizeram chorar lágrimas ocultas, pude ver através
das paredes, pessoas queridas. Seus rostos sorriam no retrato dos tijolos que estavam agora recobertos
por uma fina camada de argamassa em tom pastel.

Meus pés tocavam aquele piso recém colocado que teimava em ser bonito, rindo-se do assoalho antigo e cansado.
Cômodos ainda vazios , teciam a fina renda de uma saudade.
Eu estática na porta do quarto, enquanto luzes brincavam em minha íris, revelando uma antiga cama que vestia sua melhor colcha.

Cortinas abraçadas às janelas aparavam uma réstia de sol que insistia em atravessar a veneziana.
Na sala a mesa de jantar namorava a cristaleira espelhada, que ouvia vozes e risos dos encontros familiares.
Encontros que já dormem o sono da eternidade.

No jardim, o canteiro sepultado entre imponentes lajotas, que ainda não tinham nenhuma história pra contar.

No quintal, cacos de cerâmica empilhados, comentavam sobre a nova proprietária:

Uma piscina imponente e atrevida que insistia em rir, , olhando para mim, trazendo na expressão fria e azul, um não sei quê de abstração: _ "Nem te ligo!

Por Lu Cavichioli

10 comentários:

Ramosforest.Environment disse...

Eu sei o que é isso. Senti esse impacto também nas casas destruídas relacionadas com minha infância e juventude.
Falta sensibilidade e amor pela tradição. Não só das pessoas mas também das autoridades locais. Todos dizem: "Nem te ligo..."

Rosemari disse...



Não precisei chegar ao fim da leitura para saber que esse texto era teu.Mem oriasque ficam nas paredes !!
Parabéns !

Lu Cavichioli disse...

É isso mesmo Luiz, pimenta nos olhos dos outos é refresco.

Lu Cavichioli disse...

rsrsrs.. oi Rose a gente se conhece do avesso né?
bj

tita coelho disse...

Lú,
adoro textos e poesias que "falam" sobre quem sabe a alma das casas? Já escrevi sobre isso tb! As casas guardam um pouco da gente sempre.
Beijos

Lu Cavichioli disse...

Oi Tita, eu também sinto assim. Parece que ficamos nas reentranhas dos tijolos.

Uma loucura né?
Bjs querida, sua visita muito nos honra.

JOICE WORM disse...

Ai a saudade mata a gente, menina.
Tenho saudades do cheiro da praia de Salvador com a sua areia morena como eu...
Casas velhas, não, não tenho saudade.

SAM disse...

Boa Tarde, Lu!


Obrigada pelo convite e pelo comentário no Reflexões. Mas se for no Sam ( http://sentimentos-sam.blogspot.com) Este só de poesias, verá a quantidade de colaborações ( fora os da rede ning com teor mais espirituais)...E sou um mulher de fases rsrs. Às vezes vou postando nos meus blogs e colaborando com outros. Não sou muito certinha nas postagens. E nem posso porque não tenho disponibilidade e tempo, sou sincera. Mas já tenho algumas já publicadas como colaboração. Aproveito para fazer um convite para um outro blog meu, o Desnuda ( http://samdesnuda.blogspot.com) e ler algumas poucas crônicas lá postada. Na verdade, faço crônicas para colaborações em outros blogs. Obrigadíssima pelo convite que me deixou muito feliz! Um incentivo enorme que partiu de alguem que edita este excelente blog. Parabéns!


*Mais detalhes meu email é sarinhafcosta@hotmail.com



Beijos com carinho. Obrigada!

Marcos Santos disse...

Engraçado. Eu já tive essa sensação na minha própria casa. Um belo dia meu achou de meter calçada em tudo. Perdi minha terra de rodar pião e jogar bolas de gude.

Chica disse...

Que forte e comevente relato esse.Uma sensação incrível em veer nosso passado ali, onde já não há mais nada nosso a não ser recordações.beijos,chica